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Há vinte e nove anos a unir portugueses e luso-descendentes

13/11/17 COMUNIDADES Imagem

A cidade histórica de Colónia do Sacramento, acolheu este ano, de 3 a 5 de novembro, o Encontro das Comunidades Portuguesas e Luso-descendentes do Cone Sul, numa organização de Casa de Portugal de Montevidéu. Desde 1988, o Encontro tem dado voz aos que integram a diáspora lusa no Uruguai, Argentina e Brasil...

A cidade histórica de Colonia do Sacramento, acolheu este ano, de 3 a 5 de novembro, o Encontro das Comunidades Portuguesas e Luso-descendentes do Cone Sul, numa organização de Casa de Portugal de Montevidéu. Desde 1988, o Encontro tem dado voz aos que integram a diáspora lusa no Uruguai, Argentina e Brasil. Tendo como pontos altos do programa, um seminário cultural e uma homenagem a José Lello, ex-secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, o Encontro reuniu cerca de 350 pessoas, entre participantes associativos e autoridades portuguesas e uruguaias. À delegação da Casa de Portugal de Montevidéu, juntaram-se os representantes da Casa de Portugal de Salto e da Casa de Azores de San Carlos ‘Los Azoreños’, ambas do Uruguai. Do Brasil participaram delegações do Centro Portugués de Rio Grande, do Centro Portugues de Ijuí, do Centro Portugués de Pelotas e da Casa de Portugal de Porto Alegre. A diáspora lusa na Argentina fez-se representar pelo Conselho das Comunidades Portuguesas naquele país e pelo Grupo Folclórico Mocidade Portuguesa de Buenos Aires.
E se o primeiro Encontro aconteceu em Montevidéu, esta XXIX edição regressou ao Uruguai, para ter lugar numa cidade que simboliza a presença portuguesa naquele país: Colónia do Sacramento, cidade fundada em 22 de janeiro de 1680 pelo português Manuel Lobo, a mando do reino português.
A história do Encontro das Comunidades Portuguesas e Luso-descendentes do Cone Sul começou a ser traçada em 1973, quando foi iniciado um torneio de sueca. Catorze anos depois, em 1987, o torneio realizou-se em Pelotas, cidade do sul do Brasil, e a Casa de Portugal de Montevideu foi convidada a participar, cabendo-lhe, no ano seguinte, a incumbência de receber na capital uruguaia, todas as associações interessadas em participar no torneio.
Com a adesão à iniciativa, de instituições lusas da Argentina, 1988 marcou assim o nascimento dos Encontros das Comunidades Portuguesas e Luso-descendentes do Cone Sul. Com o crescimento dos participantes, outras atividades foram sendo incorporadas nos programas e assim, em 2004, surgiram os seminários culturais, que passaram a ser um dos pontos altos da agenda e se traduzem num momento de partilha e desenvolvimento de temas e questões relacionadas com o património, a história e cultura portuguesas e o modo como cada associação tem conseguido manter as pontes entre a vivência portuguesa e as diferentes culturas dos países que acolhem as comunidades portuguesas no Cone Sul do continente americano.

Homenagem a José Lello
O evento começou na noite de 3 de novembro, com a realização de um jantar oferecido pelo presidente da câmara de Colónia do Sacramento, Carlos Moreira Reisch, às autoridades portuguesas representadas pelo Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Luís Carneiro, e pelo embaixador de Portugal no Uruguai, Nuno de Mello Bello e Manuela Aguiar, ex-deputada e ex-secretária de Estado das Comunidades.
Na presença de representantes das delegações das oito associações que participaram no Encontro e de Miguel Lello, filho do ex-ex-secretário de Estado das Comunidades Portuguesa, José Manuel Lello, que foi o homenageado desta 29º edição, Carlos Moreira Reisch deu as boas-vindas a todos lembrando que a história da cidade está intimamente ligada a Portugal. Já José Luís Carneiro destacou o “trabalho conjunto e de equipa”, da Casa de Portugal de Montevidéu e da Câmara Municipal (Intendencia) de Colónia do Sacramento, que permitiu a realização do Encontro e convidou Carlos Moreira Reisch a visitar Portugal. Sobre a homenagem a José Lello, falecido há um ano, considerou-a “uma grande ideia” e lembrou que aquele foi um secretário de Estado “que deixou uma memória muito positiva nas comunidades portuguesas”. Refira-se que o Encontro deste ano homenageou o ex-secretário de Estado das Comunidades Portuguesa, José Manuel Lello que, enquanto titular da pasta das Comunidades Portuguesas, marcou presença en encontros anteriores e foi ainda o principal responsável pelo acordo de geminação entre a cidade portuguesa de Guimarães e a cidade uruguaia de Colónia de Sacramento.
No dia 4 de novembro, o Encontro começou com uma cerimónia no salão de Atos do Palácio do Governo Departamental, para a entrega a José Luis Carneiro da distinção de ‘Visitante Ilustre’, outorgada pelas autoridades departamentais de Colónia do Sacramento.
O Encontro continuou já no Centro Cultural Bastión del Carmen, com a inauguração da Mostra das Comunidades Portuguesas, dinamizada pelas associações presentes ao evento, e da exposição fotográfica ‘Poema Azul’, de Luísa Ferreira, realizada com o apoio do Camões - Instituto da Coopração e da Língua. Ainda na parte da manhã, realizou-se o seminário cultural ‘Diáspora e Associativismo: Património, Cultura e Herança’, que foi aberto com a interpretação dos hinos nacionais de Uruguai e de Portugal, num momento que emocionou todos aqueles que preencheram por completo a sala de espetáculos do centro cultural.
O seminário cultural teve como objetivos reforçar o espaço de discussão e de práticas com potencial de desenvolvimento comunitário e de preservação da cultura e do património portugueses; fortalecer o intercâmbio entre as comunidades portuguesas do Cone Sul; promover a partilha de projetos das diferentes comunidades e associações, incentivando a criação de grupos de trabalho regionais; reforçar vínculos de pertença à cultura portuguesa; estimular a participação de jovens e adultos, desenvolvendo as bases para a criação de uma plataforma de jovens líderes das comunidades da diáspora, procurando desenvolver as suas capacidades de liderança; difundir o património cultural e artístico, material e imaterial, de Portugal através da partilha de projetos comunitários; reforçar os laços históricos e afetivos entre a comunidade portuguesa e Colónia do Sacramento, colaborando com a sua dinamização cultural.

Um “regresso às origens”
Na abertura do seminário, Carlos Moreira Reisch afirmou que ao ver ali reunidas “tantas pessoas de distintas partes da América (do Sul)”, sentia que foi alcançado o objetivo de “um regresso às nossas origens”.
“A origem desta cidade data de 1680, um ano muito distante, tendo em conta que esta é uma noção tão jovem. E foi um português quem primeiro chegou a este ponto estratégico do Rio da Prata, numa altura em que aqui viviam apenas aborígenes. Ali começou-se a construir uma localidade que tanta história gerou, em sucessivas combinações portuguesas e espanholas que marcaram a nossa arquitetura, a nossa idiossincrasia e a nossa tão bonita história”, sublinhou o autarca. Depois, referindo-se especificamente à comunidade portuguesa implantada há décadas no Uruguai, afirmou ser importante para um país como Portugal, “que tem quase dez séculos de existência”, ter “uma comunidade de residentes no exterior que se mantém unida às suas origens, conservando costumes e cultura, sem perder a sua natural integração na sociedade uruguaia”.
José Luís Carneiro, por sua vez, disse que o Encontro deste ano dá continuidade a um percurso com 29 anos de celebração dos valores de Portugal e da luso-descendência, “valores que partilhamos com o Uruguai, com o Brasil e com a Argentina”. “As nossas nações estão irmanadas, porque na sua génese há uma língua, há uma história, há um percurso que nos une”, sublinhou.
O governante referiu ainda que as comunidades portuguesas continuam no século XXI a realizar encontros que promovem “a nossa língua e cultura”. Sobre o Encontro acrescentou o facto de ser também “um espaço de união com a língua espanhola” e defendeu: “é importante que, alicerçando no passado uma visão de futuro, sejamos capazes de olhar para esse futuro”.
Citando a visita que na tarde do dia anterior à Casa de Portugal de Montevidéu, José Luís Carneiro aproveitou para divulgar o recente decreto lei 124/2017 que regula os apoios ao movimento associativo das comunidades portuguesas. E referiu-se àquela associação lusa na capital uruguaia como exemplo de associativismo que se enquadra neste novo decreto, por reunir três dos seus principais pressupostos: Ter tido origem na fusão de duas instituições, ser presidida por luso-descententes, ter à frente da direção, uma mulher, neste caso Viviana Valente.
O seminario contou com a apresentação de vários projetos desenvolvidos pelas associações, como o do Centro Portugués de Rio Grande junto de alunos e professores da Escola Municipal Dolores Garcia, na cidade de Rio Grande, e que permitiu dar a conhecer os aspetos da cultura lusa, disseminando informações sobre Portugal junto da comunidade escolar. Da Casa de Portugal de Mointevidéu, foi apresentado um projeto desenvolvido jundo dos alunos de português da Escola ’65 Portugal’, e que se centrou na reconstrução da história dos filhos, netos e bisnetos dos emigrantes portugueses que foram para o Uruguai.
Da Argentina, os jovens Martín Amaral e Gabriel Costa apresentaram o tema ‘A importância da língua portuguesa na continuidade do associativismo’, a partir de uma enquete feita pelo Conselho das Comunidades Portuguesas na Argentina. Segundo Martín Amaral, o questionário permitiu concluir, entre outras coisas, que “as comunidades continuam unidas e crescem a partir dos seus ranchos folclóricos”, mas levou-os também a perceber que a sua continuidade “deve ser deslocada da música para a aprendizagem da língua portuguesa”.
Ainda no dia 4, à tarde, foi descerrada no Museu Português implantado no Bairro Histórico de Colónia, uma placa alusiva à visita de José Luís Carneiro àquela cidade. Durante a tarde houve também uma reunião que juntou o governante português e os dirigentes associativos, que entre outras questões, versou sobre o futuro do Encontro e propostas para edições futuras e ainda sobre a nova forma de apoio financeiro do governo português a iniciativas desenvolvidas pelas associações.
À noite, o jantar foi de homenagem a José Lello, com discursos emocionados do deputado José Cesário, de José Luís Carneiro e de Miguel Lello, filho do ex-secretário de Estado. “Ele afirmou-se na sociedade portuguesa por várias qualidades, mas sobretudo por uma grande determinação. Foi secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, foi Ministro do Desporto e Juventude, foi deputado até 2015, foi presidente da delegação da Assembleia Parlamentar da NATO, foi presidente do Conselho de Administração da Assembleia da República. Mas sobretudo, valorizava a amizade e tudo aquilo que de bom temos à nossa volta”, recordou José Cesário.

Um desfile português em Colónia
O domingo, dia 5, iniciou-se com um desfile de todas as delegações participantes até à Basília do Santíssimo Sacramento. Pela principal avenida da cidade, engalanada com bandeiras de Portugal, as delegações seguiram por um percurso acompanhado por quem tinha saído as ruas naquele dia de sol. Ao som de músicas tradicionais do cancioneiro português, os ranchos desfilaram e deram cor à cidade. No fim, houve uma missa celebrada pelo padre luso-descendente Francisco Gordalina.
O Encontro terminou com um almoço de despedida e a promessa do regresso em 2018. No discurso de encerramento, Luis Panasco, grande dinamizador da edição deste ano, lembrou que “mais de 80 pessoas estiveram fortemente empenhadas, durante vários meses” na sua realização. Lembrou que uma das grandes finalidades destes encontros foi sempre a de que “tanto as primeiras gerações como as gerações vindouras tivessem oportunidade de partilhar e transmitir a afetividade e a memória da nossas ascendência e herança portuguesa”. “Este encontro em Colónia do Sacramento é uma afirmação deste sonho”, afirmou.
Ana Grácio Pinto

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