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O "controlo de custos na vinha e ser amigo do ambiente" são os desafios dos viticultores de Borba

19/09/17 AGRO-ALIMENTAR Imagem

A Adega de Borba tem em marcha um ambicioso projeto de aproximação do viticultor à adega, incutindo neste a paixão de fazer grandes vinhos. O ‘Mundo Português’ conheceu este projeto e foi saber mais com Óscar Gato, o diretor técnico e de enologia que nos explicou em que que consiste o plano de sustentabilidade da Adega de Borba.

A Adega de Borba implantou um importante sistema de produção integrada…
A Adega de Borba tem neste momento cerca 2.200 hectares de vinha de 300 associados. Mais ou menos 70 por cento são uvas tintas, 30 por cento são uvas brancas. Destes associados, neste momento, cerca de 50 por cento já produzem em sistema de produção integrada. Ou seja, um sistema de produção que visa melhorar a produção de uva sendo amigo, primeiramente, do próprio homem, assim como do ambiente, da fauna e da flora existente à sua volta. Este é um projeto que já começou há 5 ou 6 anos atrás e destes 50 por cento dos viticultores que já aderiram, 75 por cento da área já faz parte deste plano. Como podemos ver há uma fatia grande da nossa totalidade de vinha que já está integrada no plano de sustentabilidade.
Desta forma, há dois anos surgiu, via CVR Alentejo, um plano mais abrangente para os vinhos do Alentejo. Daí que tenha sido lançado o desafio aos produtores de vinho e aos viticultores da região para tentar formalizar um plano integrado em todos os vinhos do Alentejo neste âmbito da sustentabilidade. Ser mais amigo do ambiente, poupar água e energia, separar e transformar os resíduos.
A Adega de Borba aderiu a este plano desde a primeira hora. De tal forma que neste momento somos um dos parceiros mais perto do nível que se pretende atingir, digamos assim. Isto só é possível com o trabalho que já vinha sendo feito na Adega há alguns anos e leva-nos aos investimentos que têm sido feitos desde há quinze anos a esta parte, consequentes e periódicos, uma vez que não podia ser feito tudo de uma só vez. Um dos grandes investimentos, feito há sete anos, foram 12 milhões de euros.
No fundo, foi este percurso que nos possibilitou também de chegar à vinha e aos viticultores.
Nesta altura, o desafio para os viticultores mantém-se, agora ao nível do controlo de custos na vinha e ser amigo do ambiente. Para isso é preciso reduzir o número de tratamentos fitossanitários, utilizar as substâncias ativas menos nocivas para o ambiente, tudo isto tem consequências diretas na poupança de energia e na poupança de água. Como sabemos o Alentejo precisa de regar a vinha e este ano já fomos surpreendidos com uma onda de calor que tem feito mossa nas plantas. As plantas sofrem e quem é que sofre a seguir? É a produção de uva, neste caso. Então é preciso estar atento e a rega da vinha é extremamente importante para poder ajudar a planta a manter a sua produção e ainda melhor, tentar aumentar a qualidade da sua produção. Isto faz-se com a água, mas é preciso saber utilizá-la até porque não há muita.

Tem havido renovação de vinhas?
No total de 2.200 hectares de vinha temos cerca de 2.000 hectares em produção e cerca de 150 a 200 hectares anuais que estão em rotação por reestruturação. São vinhas mais velhas em que, ainda que algumas vão ficando, uma parte delas que já apresentam alguma dificuldade, por várias razões, são reestruturadas. Temos feito essa reestruturação ao longo dos últimos anos à razão de 100, 150 hectares por ano. Existem também fundos comunitários de apoio para os viticultores que fazem com que possam reestruturar as vinhas com muito menos esforço próprio.
Esta restruturação tem permitido manter as nossas castas principais e as castas base da região do Alentejo e da sub-região de Borba, que é onde nós estamos, mas também tem servido para reintroduzir algumas variedades ditas melhoradoras e por vezes, no caso da exportação pode ser importante, haver algumas castas melhoradoras internacionais que promovem um pouco o produto e a vinha em si, bem como a própria marca, o rotulo, digamos assim.
Por isso nós tempos cerca de 40 variedades de uva instalada nas nossas vinhas. É um património vitícola bastante interessante, apesar de haver algumas castas em pequena percentagem, em termos de área, mas a verdade é que elas estão cá e estamos a olhar para elas com perspetiva de futuro.

A Adega de Borba tem um portefólio vinhos muito grande? Porquê?
Nós temos produzido, em média, ao longo dos últimos 5 anos cerca de 17 milhões de quilos de uva e 13 a 14 milhões de litros de vinho. Gostaríamos de vender tudo como ‘Grande Reserva’, ou ‘Garrafeira’, mas sabemos que isso não é possível. Para além disso não podemos esquecer o passado recente dos vinhos na adega e o seu negócio, no ponto de vista de prateleira, em que há vinhos para vários segmentos. Nós temos vinhos da nossa marca de entrada de gama, como o ‘Galitos’ que é um vinho para o dia-a-dia, para um consumidor que gosta de vinho, bebe vinho todos os dias e que pode beber um vinho com um custo relativamente reduzido. É claro que depois vamos aumentando esta segmentação. Temos do ‘Convento da Vila’ até ao ‘Adega de Borba - Colheita’, ou seja três vinhos que dependendo do bolso de cada consumidor poderá utilizar para o seu dia-a-dia.
A nossa segmentação de preço do vinho permite começar no ‘Galitos’, ‘Convento da Vila’, ‘Adega de Borba’, mas te­mos vinhos com designativo de qualidade com excelente relação qualidade/preço, como ‘Colheita Selecionada’, ‘Premium’, ‘Reserva’, ‘Gar­rafeira’, vinhos ‘monovarietais’, nas nossas diferentes marcas ‘Adega de Borba’, ‘Montes Claros’, ‘Senses’, sendo o vinho ‘Rótu­lo de Cortiça’ muito conhecido e um dos mais emblemáticos, considerando que existe desde 1964. Um portfólio de inúmeros vinhos de perfil qualitativo distinto que diversificam a oferta ao consumidor.
Para além destes vinhos produzimos vinhos licorosos, aguardentes e espumantes. Completámos recentemente o investimento numa destilaria que permite em plena vindima e após fermentação, porque nós só utilizamos massas tintas para destilar, que as massas frescas sejam conduzidas diretamente e no próprio dia para a nossa destilaria. Ou seja, transformamos as massas, que é um subproduto do vinho e originamos um outro produto, a aguardente branca, bagaceira. Isto hoje é feito no próprio dia. Não é muito comum porque as maiores destilarias a nível nacional acumulam durante meses as massas para ir fazendo a destilação. Nós terminamos a vinificação e a destilaria no mesmo dia porque as massas são frescas.

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