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“Fizemos as nossas marcas, estamos sempre a trazer novos vinhos e concentramo-nos nisso...”

09/08/17 AGRO-ALIMENTAR Imagem

Nos Estados Unidos da América, dois portugueses, Paulo Simões e Albano Saraiva, apostaram na importação de vinhos e outras bebidas portuguesas

A história invulgar de um médico acabado de formar que largou a profissão pela paixão da cerveja artesanal. Depois de começar por ajudar um amigo num pequeno negócio de cerveja artesanal, Paulo Simões viu uma oportunidade e enveredou pelo negócio da importação de vinhos, cervejas e licores. Em conjunto com Albano Saraiva, barbeiro de profissão, criou a ‘Worlwide Beverages’.
Pela altura que receberam o jornal ‘Mund o Português’ estavam ainda em mudanças para as novas e amplas instalações em Cumberland, no estado de Rhode Island onde operam atualmente.

Como é que tudo começou?
Por acaso é uma história engraçada. Eu conclui o curso de medicina antes de enveredar por este ramo de vida. Estava a começar a trabalhar e acabei por me interessar por coisas mais artesanais.
Quando conclui os estudos estavam a recrutar médicos para o FBI e então inscrevi-me. Passei todos os exames, só que como sei falar espanhol muito bem automáticamente ia parar a Puerto Rico. É o que costuma acontecer. Então como a primeira missão era de seis anos não quis ir. Se soubesse o que sei agora teria feito tudo de outra maneira.
Foi então que por volta de 2004 comecei a ajudar um amigo, que era professor de história em Central Falls, uma cidade aqui ao lado. Nessa altura estava a começar a aparecer a cerveja artesanal. Ele carregava a sua carrinha de manhã, ia dar aulas na escola e durante a tarde ia fazer as entregas nas lojas. Naquela altura era uma comunidade mais pequena, com poucas lojas, não era como agora. Então comecei a ajudá-lo e fui-me apercebendo que o negócio tinha pernas para andar. Acabei por me aplicar nisso durante um ano para ver o que dava. Foi assim que acabámos por abrir a nossa empresa, em 2006 e comecei a importar vinhos, cervejas e licores. Ao mesmo tempo começámos também a fabricar e gradualmente fomos adquirindo máquinas. Há dois anos adquirimos este edifício e estamos a instalar-nos agora.

Importam vinhos e bebidas de várias origens. Porquê?
O objetivo é ter um pouco de tudo. O nosso maior mercado aqui em Rhode Island é Boston. A cidade de Boston tem uma comunidade muito diversa, há portugueses, cabo-verdianos, ucranianos, búlgaros, italianos…é um mercado onde há pessoas de todo o mundo que procuram produtos da diáspora. É isso que tentamos explorar. Qualquer pessoa pode vender um tinto, um ‘Malbec’ ou um ‘Califórnia’, há muita concorrência, mas com os produtos étnicos há outros nichos de mercado que podemos explorar melhor. No caso do vinho português, aqui já há sete importadores de vinhos portugueses, como nós, a trazer vinho para este Estado por isso foi mais difícil. Assim fizemos as nossas marcas, estamos sempre a trazer novos vinhos e concentramo-nos nisso, mas mais de metade do nosso portefólio tem outras origens. Isto porque é impossível, aqui há muita concorrência no vinho português.

Como é que fazem a distribuição dos vossos produtos?
Temos distribuição própria para os estados do Rhode Island e de Massachusetts. Em New Jersey tenho um familiar encarregado da nossa distribuição e temos parceiros nos outros estados que asseguram a distribuição. Nós estamos nos 50 estados.
Temos oito vendedores e três motoristas em Massachusetts, em Rhode Island temos três vendedores e outro motorista. Temos duas secretárias que tratam da parte administrativa. Temos aqui alguns colaboradores no armazém, um técnico de manutenção mecânica. Temos cerca de 25 colaboradores.

Que tipo de vinhos procuram quando vão a Portugal?
Depende do mercado para onde estivermos orientados. O vinho verde, por exemplo, está a ficar muito popular nos Estados Unidos, estes vinhos estão a ser muito bem aceites aqui. Procuramos vinhos tintos, mas de gamas com uma certa qualidade. Este ano o meu objetivo é encontrar vinho doce, vinho muito doce. Normalmente o vinho tem 2 a 3 gramas de açúcar por litro, eu preciso de vinho com 30 ou 40 gramas de açúcar por litro, portanto muito doce. Está muito popular nos Estados Unidos o vinho muito, mas muito doce. Os afro-americanos e os espanhóis apreciam muito estes vinhos, mas tem que ser bem doce. Eu não aprecio muito, mas há mercado e por isso é que procuro este produto. Sei que facilmente vendo um contentor por mês de vinho português deste tipo aqui nos EUA.

Costuma ir a Lisboa, ao SISAB PORTUGAL (Salão Internacional do Setor Alimentar e Bebidas)?
Vou a diferentes feiras, mas o SISAB PORTUGAL é a melhor feira do mundo. É uma feira bastante grande, mas dá para uma pessoa ver tudo. Não é como outras com estruturas enormes mas que uma pessoa fica perdida, perde o foco. Gosto muito das visitas aos produtores onde podemos ficar a conhecer as diferentes vinhas e adegas.

 

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