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A Figueira da Foz é um paraíso de sol e praia

10/08/17 REGIONAL Imagem

Tem o sol e a praia entre os seus principais recursos turísticos. A animação é uma constante ao longo das tardes e noites, transformando as ruas em momentos mágicos de alegria e cor...

No passado era zona balnear frequentada por ilustres, gente fina, atraídos pelas praias e pela “movida” noturna do casino. Hoje, a Figueira da Foz continua a ser uma estância de veraneio com muita tradição.
A situação estratégica e privilegiada e as margens do rico estuário do rio Mondego, levaram ao longo da história à fixação de numerosas civilizações, nas terras que viriam a constituir o concelho da Figueira da Foz. As origens da ocupação do território remontam à Pré-história, contudo os romanos legaram marcas da sua presença, das quais se podem destacar as inscrições em dois denários - um da família Vibia, outro do imperador Octávio Augusto. Dos sarracenos apenas se sabe que arrasaram a povoação em 717. Foi o conde Sesnando, moçárabe natural de Tentúgal, que conduziu a reconquista cristã.
O mosteiro de Santa Cruz de Coimbra ciente da posição estratégica da localidade como porto de mar, inicia no séc. XI o povoamento das terras. Nos séculos que se seguiram os sucessivos reis foram concedendo privilégios à igreja, nomeadamente ao Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra (metade da terra de Redondo, Lavos e Quiaios, por testamento de D. Afonso Henriques; metade das marinhas de sal em Casseira, por venda de D. Sesnando), à Igreja de Santa Maria de Coimbra (a Vila de Tavarede, por doação de D. Sancho I), alargando assim o território da Figueira da Foz.
No século XIV, em 1342, o rei D. Afonso IV faz doação de Foral a Buarcos. Em1362 D. Pedro dá ordem à Mitra e Cabido da Sé de Coimbra para que esta possa nomear nos seus coutos, de Tavarede e lugar da Figueira, os funcionários administrativos e tabeliães necessários para o bom funcionamento da conduta dos seus povos. No século XV, em 1456, partem caravelas de Buarcos a caminho de Ceuta e dez anos depois o Príncipe D. João (II) recebe de seu pai, D. Afonso V, a terra de Buarcos, com a jurisdição cível e crime.

Ataques de piratas
No decorrer do século XVI a população é assolada por constantes ataques piratas. Foi então que se fez necessária a construção do Forte de Santa Catarina para a defesa da zona. Os ataques piratas voltariam a fazer-se sentir no século XVII, tendo a Figueira da Foz e Buarcos sido saqueadas, as igrejas profanadas e o forte de Santa Catarina ocupado.
A importância adquirida pelo povoada da Figueira da Foz leva El Rei D. José, a conceder-lhe, por decreto de 12 de março de 1771, a categoria de Vila. Em 1773, começa a exploração da mina do Cabo Mondego, denominada, à data, de mina do Focinho da Figueira e surgem o caminho-de-ferro e a estrada Pampilhosa-Figueira.
Em 1807, o Forte de Santa Catarina é ocupado por uma guarnição pertencente ao exército de Junot, o qual viria a dominar toda a região entre Coimbra e Figueira da Foz. Um ano depois termina, com a conquista do Forte de Santa Catarina pelo grupo de voluntários liderados pelo académico Bernardo António Zagalo, o domínio da região, por parte das forças napoleónicas. O exército de Wellesley, futuro duque de Wellington, desembarca nesse mesmo ano, em agosto de 1808, cerca de três mil homens na baia do Mondego.
No início do séc. XIX, a grande dinâmica e riqueza produzida pelo porto e o desenvolvimento da construção naval, fazem a população da Figueira da Foz quase duplicar. Nos finais do século a cidade adquire um novo impulso económico, motivado pela vinda da aristocracia, que começa a dar-se banhos nas águas límpidas das praias de areia dourada na costa de Figueira da Foz. Também os espanhóis endinheirados começam a vir até à Figueira da Foz deixar as suas pesetas no casino.
A 20 de setembro de 1882 a Figueira da Foz foi elevada à categoria de cidade.
Com o título ‘Rainha das Praias de Portugal’, a Figueira da Foz afirma-se como um dos melhores destinos balneares para umas férias em família ou com amigos.
A praia é realmente um dos encantos da cidade, com os seus bares em madeira listrada e a sua extensão de areia branca e macia. As condições naturais da Figueira da Foz convidam à prática dos mais diversos desportos náuticos: da vela ao remo, do surf ao bodyboard, do kayaksurf ao paddlesurf.
Para além das extensas praias de areia branca, poderá ainda encontrar locais históricos e culturais que o vão deixar fascinado pela foz do Mondego. A Figueira da Foz tem um património histórico valioso, como é o caso do Museu Municipal Dr. Santos Rocha com vasto espólio - colecções de arqueologia, etnografia africana e oriental, numismática, pintura, escultura, cerâmica e mobiliário. Pode ver ainda a colecção de Azulejos de Delft, na Casa do Paço, as inúmeras igrejas com as suas talhas douradas, o Palácio Sotto Mayor, o Paço de Maiorca, o Forte de Santa Catarina e a Fortaleza de Buarcos.
Os múltiplos espaços verdes existentes convidam a agradáveis passeios a pé, de bicicleta ou de carro. Destacando-se a Serra da Boa Viagem e toda a sua riqueza arqueológica, o Parque das Abadias, a zona ribeirinha e as Lagoas do Bom Sucesso. Os percursos pedestres complementam a oferta turística da Figueira da Foz, proporcionando agradáveis experiências de ecoturismo: Rota das Salinas e Rota dos Arrozais.

E o que dizer de Lavos?
Dista cerca de sete quilómetros da sede do concelho. Lavos recebeu foral de D. Afonso II em Janeiro de 1217 (tinha, então, o nome de Lavos da Marinha) e teve foral novo de D. Manuel I em 1519.
Lavos e as povoações vizinhas assentam nos areais ao sul do Mondego. A primitiva povoação desapareceu pouco a pouco, sob a areia.
Bonifácio de Andrade e Silva, nos princípios do séc. XIX, iniciou nos areais de Lavos grandes obras de arborização de dunas, fixando as areias movediças, que por toda a parte transformavam os campos em desolados areais.
Pinho Leal refere que “há nesta freguesia uma importante indústria salineira, que ocupa uma parte da população, entregando-se outra parte à pesca marítima e outra à agricultura”. E recorda o mesmo autor que “foi nesta praia que, em 1808, desembarcou o contingente inglês que ajudou a expulsar os invasores franceses.
Fazem parte desta freguesia os lugares de Armazéns, Bizorreiro, Boavista, Cabecinhos, Carvalhais, Casal dos Adões, Costa, Franco, Outeiro (parte), Regalheiras e Santa Luzia”.
O antigo couto de Lavos, de forma quadrilátera, estendia-se no maior comprimento, no sentido norte-sul, a confimar remotamente: ao norte, com o Mondego; a leste, com a “fonte” (nascente) de Cavaleiros, seguindo depois pela cumeada e descendo pelo paúl e rio Mondego contiguamente ao couto de Seiça; a oeste, o oceano; e a sul, ainda a Mata de Seiça, caminho que vai para a fonte Covo, desce à lagoa da Ervedosa (Ervedeira), seguindo depois pelo Pinhal até chegar ao mar.
O couto foi doado em testamento pelo abade Pedro à Sé de Coimbra, com seus limites: a igreja de S. Julião, junto à foz do Mondego e a herdade de Lavalos — Lavalos é a vila de Lavaos, hoje sepultada nas areias, que o cronista dos regrantes, D. Nicolau de Santa Maria, diz ter sido coutada e doada por D. Afonso Henriques ao Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, segundo carta de confirmação de Dezembro de 1166 — ou Lavaos com seus termos, Casseira, S. Veríssimo e Fontanela, além de S. Martinho do Couto, junto a Coimbra. Não sem manifestar a sua dedicação àquela Sé Catedral de Santa Maria, em seus legados, faleceu aquele ilustre eclesiástico no ano de 1100; depois desta data, a região de Lavos voltou a ser assolada pelos sarracenos, com guerras e “fossados” (investidas ou correrias) que, além de epidemias e da fome consecutivas, mais contribuiram para fazer escassear o povoamento. Só depois, segundo parece, da conquista de Lisboa por D. Afonso Henriques, em 1147, se povoou de vez esta região, de que se encarregou o bispo de Coimbra, João Anaia (1148-1154).
Em Janeiro de 1217 recebeu foral de D. Afonso II, com o nome de Lavos da Marinha, e novo foral em Dezembro de 1519, lhe foi dado por D. Manuel I, em Évora, sendo nele chamada vila de Lavões.
O topónimo de Lavos, segundo alguns estudiosos, provém da palavra árabe Lavi.
O capitão João Mano, estudioso da região, diz, a respeito de Lavos, que “foi, pois, couto e vila próspera, rodeada pelas suas fazendas que podemos conjecturar de férteis, abrigadas por canaviais de abundantes e viçosa folhagem - onde a brisa do estio murmurava as canções dolentes da bela moira Lavi- e regadas por uma ou duas valas-ribeiros (ou regos) como as que ainda hoje servem os melhores quintais da Costa e da Leirosa.
O poder devastador da duna ou medo, que actuou lenta mas irresistivelmente até que a arborização lhe pôs freio, não conseguiu apagar os vestígios destas valas nas “linhas de água”, que se notam ainda nas cartas da região. (...) Terminada a construção da nova igreja em 1632, assim se manteve até que as dunas obrigaram, por outra soterração, a mais uma mudança, 111 anos decorridos, isto é, em 1743, agora para uma cota da colina a resguardo do assalto das areias: no Casal de Santa Luzia, localidade que 15 anos depois contava com 25 vizinhos ou fogos. No entanto, 65 anos após esta mudança, ainda a residência do pároco da freguesia de Lavos era muito perto do lugar onde existiu a segunda igreja matriz dos lavoenses. Foi nessa casa que, em Agosto de 1808, Wellesley foi hospedado, aí restabelecendo o seu quartel general por alguns dias”.

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