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Professores e investigadores de Língua Portuguesa criam associação no Reino Unido

28/07/17 COMUNIDADES Imagem

“Acreditamos numa visão do Português como língua global”, afirma Sofia Martinho, leitora do Camões, I. na Universidade de Leeds e uma das fundadoras da TROPO UK

Intitula-se ‘TROPO UK’ (Associação de Professores e Investigadores de Língua Portuguesa no Reino Unido), foi lançada a 24 de junho e tem gerado um grande interesse. Esta associação surgiu da necessidade que sentiam professores e investigadores de Língua Portuguesa, da existência de uma plataforma ou um fórum que permitisse encontros regulares e troca de ideias e que fomentasse colaborações entre eles.
A ideia começou a ganhar contornos em junho de 2016, no seguimento de uma conferência para professores de Português que Sofia Martinho organizou na Universidade de Leeds, onde é leitora do Camões, I.P e responsável pela secção de Estudos Portugueses.
O primeiro passo foi aconstituição de uma equipa que transformasse um projeto em algo concreto. Para além de Sofia Martinho, fazem parte do grupo inicial Regina Duarte, coordenadora do Ensino do Português no Reino Unido, Ana Reimão, leitora do Camões, I.P. na Universidade de Liverpool, Antônio Márcio da Silva, docente na Universidade de Surrey e Ana Souza, da Associação Brasileira de Iniciativas Educacionais no Reino Unido.
Sofia Martinho explica que esta é uma equipa diversificada porque a associação quer “chegar a todos no terreno”, ou seja, a todos os níveis de ensino, do primário ao universitário, do Português Europeu ao Português do Brasil. “Acreditamos numa visão do Português como língua global”, defende. Um ano depois, a ‘TROPO UK’ é já uma realidade.
O lançamento reuniu professores do ensino superior e não superior e investigadores oriundos de toda a Inglaterra e também da Irlanda. Para além da apresentação formal da associação, dos seus objetivos, projetos e ambições, houve ainda tempo para networking e para uma discussão plenária sobre os projetos a desenvolver, recordou a leitora de Português na Universidade de Leeds. O evento contou ainda com a presença de dois académicos, Patrick Pereira Rebuchat e Fatih Bayram, que fizeram apresentações sobre o ensino-aprendizagem de línguas estrangeiras e língua de herança respetivamente, revelou ainda.

Inscrições abertas
A ‘TROPO UK’ abriu no início de julho as inscrições para quem pretender associar-se e o interesse tem sido elevado, já que o principal objetivo desta organização é promover a língua portuguesa e o seu estudo no Reino Unido, como salienta Sofia Martinho. Um objetivo que deverá passar pelo apoio aos docentes, tanto na transmissão de boas práticas pedagógicas, como na divulgação e no estímulo à investigação nas áreas da linguística e didática do Português e ainda na formação contínua dos professores.
Sofia Martinho diz que a ‘TROPO UK’ pretende também ser a associação que representa o ensino do Português e os seus professores de todos os níveis de aprendizagem, junto das autoridades locais. “Até aqui o Português tem sido representado pelos Estudos Hispânicos (Português e Espanhol) ou dentro do grupo das chamadas línguas menos ensinadas - o que em termos de número de alunos não é verdade - ou línguas comunitárias (línguas das comunidades emigrantes)”, explica a docente universitária que espera ver a associação como um meio que ajude a dar ao Português a visibilidade “que precisa e merece”. Uma meta tão mais importante quando a realidade mostra que num país “onde o número de alunos de línguas estrangeiras está em declínio, o Português encontra-se numa posição favorável, diria quase em contra-corrente”, como vinca a leitora.
Por outro lado, junto da sociedade civil, dos atuais ou potenciais alunos e dos pais e encarregados de educação, a associação terá também um papel a desempenhar. Sofia Martinho defende a importância das famílias falantes de Português olharem para esta língua como uma mais-valia para os seus filhos, mesmo vivendo no Reino Unido.
“O Português, como língua global, oferece imensas oportunidades a estas crianças que podem crescer bilingues. Por outro lado, no ensino superior, onde os nossos alunos são na sua esmagadora maioria britânicos que contatam com o Português pela primeira vez na universidade, penso que todos temos a ganhar ensinando e divulgando o Português como língua global, uma língua em que comunicam e se expressam 260 milhões de pessoas em oito países diferentes, cada um com a sua cultura riquíssima”, salienta.

Saber quantos são...
Há já ideias de atividades desenvolver. A equipa está a definir o calendário de atividades do próximo ano letivo, mas um projeto que gostariam de vir já a concretizar é o Encontro Anual de Professores de Português do Reino Unido e Irlanda. Há ainda planos de realização de um workshop para professores “que querem começar a desenvolver investigação na área da didática do Português” e a vontade de organizar webinars uma modalidade que “permitirá aos professores espalhados de norte a sul do país terem fácil acesso às sessões de formação e partilha de ideias”, revela Sofia Martinho.
Outro objetivo da ‘TROPO UK’ é a criação de espaços de contato entre investigadores e professores “para que a informação chegue a quem dela mais precisa”. “Divulgando mais e melhor as boas práticas teremos um ensino mais interessante e mais capaz de produzir melhores resultados”, defende a leitora.
Mas uma das metas da associação a curto prazo é perceber quantos alunos e professores de Português existem no Reino Unido em todos os níveis de ensino. Para já, sabe-se que através da Rede de Ensino do Camões, I.P. há “24 professores a ensinar mais de três mil alunos no ensino primário e secundário”. A estes números, diz a docente universitária, há que acrescentar ainda “os alunos e professores das Escolinhas Brasileiras, sobre as quais neste momento não tenho dados exatos”. No ensino superior, há 25 universidades a oferecerem licenciaturas em Português, para cerca de 2000 alunos.
“Em termos de professores, sabemos que 68 docentes trabalham nas universidades britânicas com o apoio do Camões, I.P. mas seremos muitos mais no terreno”, assegura.
Ana Grácio Pinto

 

 

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