edição digital

“Os vinhos portugueses, neste momento estão em crescimento na América...”

13/07/17 EMPRESAS Imagem

A ‘Saraiva Enterprises’ nasceu em 1977 a partir do sonho de Arménio Saraiva que emigrado de Linhares da Beira para os EUA. Atualmente, pela mão dos seus três filhos dedica-se à importação e distribuição de vinhos, cervejas e bebidas espirituosas na costa leste do país, representando mais de 200 marcas e referências de cerca de 25 produtores nacionais.

Como é que vieram para os EUA?
José Saraiva - Emigrámos em 1970 para New Bedford. Somos de Linhares da Beira, no distrito da Guarda. Os nossos pais vieram para aqui à procura de oportunidades que naquela altura não haviam no interior de Portugal. Eu tinha 9 anos, o Fernando tinha 6 e a Lisa já nasceu aqui. Naquela altura o meu pai começou a trabalhar na construção, a minha mãe foi trabalhar para uma fábrica têxtil e 4 a 5 anos depois de estarmos aqui o meu pai decidiu montar o seu próprio negócio na área da construção, fazia prédios em blocos, varandas, lareiras…

Como começou a ‘Saraiva Enterprises’?
J. S. - Em 1977 o nosso pai decidiu montar um negócio de processamento de pescado, juntamente com outro sócio. Esse negócio durou 18 anos. Fazia principalmente o processamento do bacalhau salgado. Comprávamos peixe na lota e depois escalávamos, salgávamos e secávamos…Na altura vendíamos na própria fábrica, mas vendíamos também para armazenistas, restaurantes e lojas. Isto acabou por abrir o mercado e levar-nos, em 1986, para o mercado de vinhos. Ainda chegaram a funcionar os dois negócios em simultâneo, mas depois achámos que devíamos optar por um negócio. Uma vez que o negócio dos vinhos estava em expansão e o negócio do peixe estava a baixar uma vez que o governo tinha criado um sistema de cotas e o peixe estava a ficar muito mais caro constatámos que o negócio da importação de vinhos, que naquela altura estava a crescer, teria muito mais futuro.

Que tipo de produtos importam?
J. S. - Hoje dedicamo-nos ao vinho, cervejas e bebidas espirituosas. Somos os nossos próprios distribuidores para o Estado do Massachusetts onde temos a nossa frota e os nossos vendedores. Para os outros Estados temos parcerias em Rhode Island, Connecticut, Vermont, Pensilvânia, entre outros Estados.
Fernando Saraiva - A nossa licença é só para este Estado para restaurantes e garrafeiras. Para outros Estados temos que ter outros distribuidores. Isto é um país só, mas existem 50 estados com leis diferentes, principalmente em termos de álcool porque há muito controlo nesta área.

Distribuem vinhos de que regiões?
J. S. - Temos vinhos desde o Minho ao Alentejo, Porto, Madeira. Temos vários produtos de todas as regiões de Portugal.
Como é que o mercado americano reage aos produtos de Portugal?
J. S. - Os produtos portugueses já são consumidos pelo mercado em geral. Os nossos vinhos têm estado no topo, têm recebido boas pontuações nas revistas americanas. Isto é muito importante, bem como cada vez mais divulgar as marcas e produtos portugueses. Os vinhos portugueses, neste momento estão em crescimento na América.

Isto também se deve, em boa parte, ao trabalho dos importadores?
J. S. - Uma boa parte deste trabalho tem sido feito por nós, importadores, porque somos quem dedica o nosso tempo e a nossa energia para divulgar as marcas nos respetivos mercados e ir além da nossa comunidade. Hoje, quando falo da comunidade portuguesa é diferente do que quando falava da comunidade portuguesa nos anos 70. Hoje estamos a falar de portugueses da terceira geração, os pais já nasceram aqui. É muito importante para estas gerações a ligação a Portugal, às raízes dos pais, ou dos avós. Ainda há essa ligação. Eles querem saber mais sobre de onde os avós vieram, viver um pouco dessa cultura. Eles também ajudam ao introduzir os vinhos portugueses entre os amigos e colegas americanos. Mas mesmo fora disto, o mercado americano está a consumir muito vinho português, cada vez mais.

O que acha que mudou?
J. S. - Portugal melhorou muito em termos de marketing, há muito mais qualidade nos produtos, a rotulagem evoluiu bastante. Antigamente os rótulos eram muito antiquados, com nomes muito complicados. Temos que perceber que para nós, portugueses, que compreendemos a língua portuguesa, é fácil, mas para um americano torna-se difícil pronunciar algumas das marcas que temos. Isto hoje já está ultrapassado, estamos muito melhor.
F. S. - A grande diferença é que nos vinhos da Califórnia, por exemplo, eles têm uma marca e dentro dessa marca têm o Cabernet, o Merlot, mas tudo debaixo de uma só marca. Em Portugal cada vinho tem a sua marca. Um produtor local pode ter seis ou sete marcas da mesma herdade.
J. S. - Torna-se mais difícil para nós, em termos de marketing, porque não é só divulgar uma marca, temos que divulgar sete. É preciso ser mais estratégico neste ponto, apesar de compreendermos que a realidade do vinho português é um pouco diferente dos demais porque nós vendemos essencialmente ‘blends’, com castas portuguesas. E este é o desafio, os estrangeiros não conhecem a Touriga Nacional, ou a Touriga Franca, entre outras castas que temos.
F. S. - Certas quintas estão a fazer um bom trabalho a este nível, estão a englobar tudo debaixo do mesmo nome. Depois, dentro de um só nome têm o Douro, o Alentejo, o Colheita e por aí fora. Isto funciona. Compreendemos que a história, os locais, os monumentos ou castelos que a maioria das pessoas conhecem em Portugal sejam uma referência para o nome de um vinho com o objetivo de promover um local e usar isso para identificar a origem dos vinhos, mas o problema é que isto depois funciona cada marca por si só.

Marcam presença no SISAB PORTUGAL?
J. S. - Vamos ao SISAB PORTUGAL desde o primeiro dia.
F. S. - Para nós é importante, porque para além de contactarmos com os nossos fornecedores, com quem já trabalhamos, é uma forma de experimentar marcas ou produtos novos que estão a sair para o mercado. É uma boa oportunidade porque está ali tudo concentrado.

MUNDO PORTUGUÊS - ASSINE JÁ

Medalha de Mérito das Comunidades


Maior Onda surfada do Mundo


Mundo Português TV


Mundo Português APP





Meteorologia

Marcas Grupo