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Em Ílhavo nasceu a faina do bacalhau...

18/05/17 CULTURA Imagem

Em Ílhavo há a agricultura tradicional, mas também a faina marítima. É uma terra colorida como se pode ver pelas fachadas das casas da Costa Nova, uma das praias mais cosmopolitas da costa portuguesa

Intrinsecamente ligado à Ria e inevitavelmente voltado para o Mar, o Município de Ílhavo tem nesta ligação a sua principal característica, que o distingue dos demais quer pela sua geografia, quer pela sua História.
Com cerca de nove séculos e meio de vida documentada, Ílhavo é apontada por vários autores como sendo descendente de lendários navegadores, possivelmente fenícios, gregos ou então antigos navegadores dos mares do Norte e até Romanos, que entraram pela foz do Vouga e estabeleceram-se nas suas margens, sendo os próprios ilhavenses, já muito cruzados com várias raças, igualmente invocados como os míticos fundadores de numerosas povoações marítimas.
A primeira referência escrita à “villa iliauo”, que consta do cartulário do Arquivo Nacional da Torre do Tombo, designado por Livro Preto da Sé de Coimbra, remonta ao século XI, mais concretamente entre 1037 e 1065, sendo a sua doação mencionada aquando da tomada definitiva de Coimbra, em plena Reconquista Cristã.

Comércio marítimo, indústria e turismo
De acordo com os dados da Associação Industrial do Distrito de Aveiro (AIDA), 29,3% da área do Município é agrícola, sendo 38,6% urbana e 20,7% é florestal, a que corresponde grande parte à Mata Nacional das Dunas da Gafanha, visível da A25, o antigo IP5, que liga Ílhavo ao interior do País e à vizinha Espanha, e que veio proporcionar novas condições de dinamização económica à sua população, maioritariamente voltada para a o comércio marítimo, para a indústria e para o turismo. Importantes fatores de desenvolvimento do Município foram igualmente a construção do Porto de Aveiro, cujas instalações maioritariamente se encontram localizadas na Gafanha da Nazaré, a implantação da Zona Industrial da Mota (Gafanha da Encarnação) e das Ervosas (Ílhavo), assim como, e mais recentemente, a ligação à A17, que liga Aveiro à Marinha Grande.
Ainda relativamente ao seu crescimento e desenvolvimento económico, mas também social e cultural, o Município de Ílhavo faz igualmente parte da Comunidade Intermunicipal do Baixo Vouga (CIRA) e do Pólo de Marca Turística Ria de Aveiro do Turismo do Centro de Portugal, dois importantes organismos que promovem a vasta área da Ria de Aveiro, elemento central e unificador de cerca de 350 mil pessoas.

Uma cidade dedicada ao bacalhau
O concelho recebeu foral de D. Dinis em 13 de Outubro de 1296, tendo sido elevado a cidade em 13 de Julho de 1990.
A cidade também é famosa pela sua indústria de porcelana Vista Alegre. O município de Ílhavo engloba duas cidades: Gafanha da Nazaré e Ílhavo. No concelho de Ílhavo, na localidade da Barra, existe o farol da Barra, o mais alto dos 48 faróis marítimos de Portugal. O Farol e praia da Barra fazem parte da freguesia de Gafanha da Nazaré.
Já a Costa Nova do Prado integram a freguesia da Gafanha da Encarnação. A praia da Costa Nova do Prado é também um dos locais de excelência do município, sendo de visita obrigatória por quem passa na zona.
As casas típicas desta praia (designadas por Palheiros), caracterizam-se por fachadas (originalmente em madeira, na actualidade em betão), listadas com cores vivas e alegres, alternadas com a cor branca. A cidade de Ílhavo é também conhecida pelo famoso Pão de Vale de Ilhavo, confeccionado de forma artesanal e cozido em forno a lenha. O Pão de Ílhavo tem a Pada com forma mais conhecida, mas também existe o Folar ou Pão Doce (com ou sem ovos) comercializado nas alturas da Páscoa.
Ílhavo está profundamente ligada à pesca do bacalhau; com efeito, durante todo o século XX, a maioria dos capitães que faziam companhas de longo curso eram originários da, então, vila de Ílhavo. Igualmente oriundos das localidades vizinhas foram muitos dos pescadores.
Esta, e outras ligações, de Ílhavo com o mar podem ser vistas no Museu Marítimo de Ílhavo, que para além do edificío, tem o único arrastão lateral de pesca do bacalhau sobrevivente. O navio faz parte integrante do Museu e alberga exposições temporárias.

A não perder
Com cinco quilómetros de costa, o Município de Ílhavo é também conhecido pelas suas Praias da Barra e da Costa Nova, e pelos seus ex-libris: o Farol e os coloridos Palheiros às riscas, tantas vezes representados no artesanato local. Paralelamente à Faina Maior (pesca de bacalhau à linha com dóris de um só homem) e à existência de uma agricultura intensiva, cuja memória está presente no septuagenário Museu Marítimo de Ílhavo e no seu pólo flutuante, o Navio Museu Santo André, assim como na tradicional Casa Gafanhoa, nascia em Ílhavo, nos inícios do século XIX, a emblemática Fábrica de Porcelanas da Vista Alegre que, pela sua dimensão e sucesso, foi um forte factor de desenvolvimento do Município.
Mesmo ao lado, fica a elegante Capela da Nossa Senhora da Penha de França (Património Nacional desde 1910), um dos locais de devoção mais antigos do Concelho, coexistinto com outras Igrejas e Capelas que compõem a sua atual paisagem urbana, equilibrada pelo estilo claramente “novo” das suas vivendas e Solares do virar do século e pela arquitetura moderna de alguns edifícios.
Arrojados, irreverentes e premiados, o Museu Marítimo de Ílhavo, a Biblioteca Municipal de Ílhavo ou a Casa da Cultura de Ílhavo são reconhecidos exemplos do que de melhor se tem feito em Portugal nesta área, onde a contemporaneidade se funde com a história de uma forma sui generis e inesperada.
Local de eleição para os amantes dos desportos náuticos e radicais, Ílhavo possui igualmente vários outros equipamentos para a prática de actividade física e lazer, especialmente voltados para os mais novos, nomeadamente as Piscinas Municipais de Ílhavo.

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