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Fátima: Haverá uma oração pelos refugiados lida por uma religiosa que também o foi…

11/05/17 ATUALIDADE Imagem

Nascida no meio de uma família cristã no Líbano, deixou o país em 1975, quando teve início a guerra civil. Passou pelo Iraque com a família e a Guerra do Golfo tornou-a novamente refugiada. Ordenada em Itália, chegou a Fátima em 2000.

É libanesa e reside em Fátima desde 2000. Tem uma alegria e animação “que contagia quem fala com ela”, apresenta o Santuário de Fátima numa nota publicada no site criado para o centenário das aparições. A Irmã Glória Maalouf, que viveu momentos de perigo, de fugas e privações quando foi migrante e refugiada, vai ler uma oração pelos refugiados, em árabe, na Oração dos Fiéis da Missa do dia 13 de maio.
Nascida no meio de uma família cristã no Líbano, deixou o país em 1975, quando teve início a guerra civil, e acompanhou os pais que encontraram refúgio no Kuwait. “Ali vivia num mundo muçulmano, com muitas restrições, divisões que não entendia, e acabei por me afastar de Deus. Correspondeu a um período em que, jovem adolescente, vivi uma fase de rebeldia contra a religião, contra Deus”, recorda.
Uma oportunidade de emprego no Iraque levou a família a mudar-se mais uma vez. Nesta altura, começou a interessar-se por Filosofia e aproximou-se mais da religião e de Deus, fazendo uma caminhada. Até que veio a Guerra no Golfo e aí a vida da família voltou a mudar completamente. “De repente, ficámos sem nada. Sem trabalho, sem dinheiro, em perigo constante, em fuga”, diz, acrescentando que a familia teve que fugir para o deserto, local onde teve “a primeira sensação” de que a suaa vida interior “precisava de mudar”. “Atrás de mim, deixei tudo e não havia nada. À minha frente não havia nada. Por isso, rezei e decidi que era mesmo Deus que tinha de procurar, era a Deus que me tinha de agarrar”, conta. “E foi assim. Os meus pais decidiram emigrar para o Canadá e eu decidi emigrar para Jesus”, remata, com uma gargalhada.

De Itália para Fátima
A Irmã Glória entrou na Congregação das Servas do Coração Imaculado de Maria, em Itália, onde foi convidada a abrir a casa da sua ordem em Fátima, em 2000. “Fui mesmo a primeira das irmãs a chegar a Fátima. Para mim era tudo novo. Não conhecia Fátima, não conhecia nada das Aparições, não conhecia a Mensagem de Nossa Senhora”, revela. “Estudei, li e fiquei apaixonada por Maria, pela Mensagem. Ainda hoje estou apaixonada”, diz, a rir.
Pelo seu passado de refugiada e migrante, a leitura da súplica na missa de 13 de maio será um momento especial para a Irmã Glória. A oração, em árabe, vai pedir pelos migrantes pobres e refugiados, “para que por intercessão de Maria, que conhece as suas dores, se sintam acolhidos por todos os que lhes oferecem dignidade e razões de esperança”, explica.
Em Fátima, a Irmã Glória Maalouf gere a rede de lojas do Santuário e contata diariamente com os peregrinos que chegam à Capelinha das Aparições. O fato de ser libanesa, hoje com dupla nacionalidade, e de falar árabe permitiu evitar situações embaraçosas. “Um dia, ao passar pela Capelinha, vi que a oração estava a ser liderada em língua árabe por mulheres vestidas com o chador (vestes que cobrem todo o corpo, exceto a cara). Aproximei-me e verifiquei que rezavam a Fátima, mas não a Nossa Senhora e sim a Fátima, a filha do profeta”, referiu. “Avisei as autoridades do Santuário para o que estava a acontecer e desde então passou a haver mais cuidado na autorização de orações em língua árabe” indicou.
Ainda hoje diz encontrar junto da Capelinha das Aparições muitos muçulmanos que rezam a Fátima. “Falo com eles e penso: Deus e Nossa Senhora sabem o que fazem. Se Nossa Senhora, na sua mensagem falou a todos, porque não a eles? Ela lá sabe”, acrescentou. Conta ainda que há uns anos encontrou em Fátima um sheik muçulmano com quem falou durante algum tempo.
“Falei-lhe das Aparições de Nossa Senhora, falei sobre os Pastorinhos e sobre a Mensagem. No final, ofereci-lhe as Memórias da Irmã Lúcia em língua árabe, cuja tradução tinha feito, e um terço. Meses depois, ele voltou e trouxe-me um livro de orações a Fátima, filha do profeta, e um terço muçulmano”, contou. “Se calhar estava a tentar-me converter e eu estava a tentar convertê-lo”, concluiu, com mais uma gargalhada.

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