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Este foi “o mais inconquistável de todo o reino”

19/04/17 REGIONAL Imagem

O Castelo de Marvão era um eficaz lugar de refúgio e um extraordinário ponto de observação e vigilância. Dominava uma vasta zona do Alto Alentejo ia até Badajoz, em Espanha e ao rio Tejo

O Castelo de Marvão, no Alentejo, localiza-se na vila e freguesia de Santa Maria de Marvão, concelho de Marvão, distrito de Portalegre. É um extraordinário ponto de observação, já que ‘domina’ uma vasta zona do Alto Alentejo que vai de Badajoz ao rio Tejo.
Implantado no mais alto pico do Parque Natural da Serra de São Mamede, em posição dominante sobre a vila de Marvão, chamou a atenção de vários monarcas, que ralizaram diversas obras de remodelação até chegar ao seu aspecto atual.
A sua localização tounou-o numa fortaleza praticamente inexpugnável, como referia o Prior Frei Miguel Viegas Bravo, nas ‘Memórias Paroquiais’, de 1758: “É esta vila praça de armas, a mais inconquistável de todo o Reino; da parte do sul é inacessível, de tal sorte que só aos pássaros permite entrada, porque em todo o comprimento é contínuo, e continuado o despenhadeiro de vivos penhos em tanta altura, que as aves de mais elevados voos, dele de deixam ver pelas costas (...).A cerca urbana ocupa a restante crista rochosa. Toda a fortificação é, obviamente, em relevo, em parte natural, com nítida preocupação pela impermeabilidade”

Da pré-história à idade média
Pouco se sabe quanto à primitiva ocupação daquele sítio, mas os historiadores pensam que poderá ter existido ali um castro pré-histórico. À época da invasão romana da Península Ibérica, alguns autores defendem ser esta a povoação romanizada que os Lusitanos denominavam como ‘Medobriga’, que, objeto de disputa entre as forças de Pompeu e de Júlio César, foi conquistada por tropas deste último sob o comando do propretor Caio Longino, em meados do século I.
O interesse pela povoação derivava principalmente por ser vizinha à estrada romana que ligava Cáceres a Santarém, na altura da ponte que cruzava o rio Sever (Ponte da Portagem).
D. Afonso Henriques terá tomado a povoação aos mouros entre 1160 e 1166. Quando da demarcação do termo de Castelo Branco, em 1214), Marvão já estava incluido em terras portuguesas. D. Sancho II concedeu-lhe Carta de Foral em 1226, pois queria manter esta localidade vançada do território povoada e defendida diante das repetidas incursões oriundas de Castela.
Mais de século e meio depois, ao eclodir a crise de 1383-1385, a vila e seu castelo ficaram do lado do Mestre de Avis, que não se esqueceu do apoio dado: o novo soberano, e os seus sucessores, concederam diversos privilégios à vila - em 1407, 1436 e 1497 - com o objetivo de aumentar o seu povoamento e defesa e as muralhas do castelo foram fortalecidas.

Da Guerra da Restauração até aos nossos dias
Quando da Restauração da independência portuguesa, no âmbito da guerra que se seguiu, as defesas de Marvão foram remodeladas e adaptadas à modernização da artilharia da época.
A primeira fase dessas obras aconteceu entre 1640 e 1662 quando o abade D. João Dama mandou reconstruir um troço da muralha e barbacãs (muro anteposto às muralhas e mais baixo do que estas, construído nos castelos medievais para defender o fosso), reparar as portas do castelo e fazer outros consertos necessários à conservação e defesa da vila.
Quando ainda estava em obras, o castelo foi assaltado por forças espanholas, em 1641 e 1648.
Mas as tropas portuguesas bateram-se ativamente com a praça vizinha de Valencia de Alcántara, até à conquista desta pelas forças de D. António Luís de Meneses.
Um relato de Nicolau de Langres, à época, informa que a guarnição de infantaria e de cavalaria portuguesa nesta fortificação eram oriundos de Castelo de Vide, contando Marvão com cerca de 400 habitantes.
Em 1704 o castelo de Marvão voltou a ser conquistada pelo exército espanhol, mas foi retomado pelas tropas portuguesas, sob o comando do conde de São João, no ano seguinte. Um novo assalto espanhol à vila se repetiria décadas mais tarde, em 1772.
No século XIX, abrindo-se a Guerra Peninsular, foi ocupado por tropas francesas, tendo sido libertado em 1808. Posteriormente, quando das Guerras Liberais, no episódio conhecido como ‘Guerra da Patuleia’, foi ocupada pelas forças liberais, a 12 de Dezembro de 1833, e assediado pelas tropas de D. Miguel no ano seguinte.
Em 1922 foi classificado como Monumento Nacional e em 1938 passou por obras de restauro e conservação, que incluiram renovações, desinfestações, limpeza e pintura, repetindo-se até aos nossos dias.
Desde então, com o apoio da Liga dos Amigos do Castelo de Marvão e da Câmara Municipal, este patrimônio vem sendo mantido em bom estado de conservação. Ao visitante são oferecidas visitas guiadas ao núcleo arqueológico de armaria nas dependências do castelo.

A lenda de N. Senhora da Estrela
Diz a lenda que no século VIII, sem conseguir resistir ao avanço dos muçulmanos na região, os habitantes de Marvão abandonaram as suas terras para procurar refúgio nas montanhas das Astúrias, onde a resistência cristã se mantinha viva. Antes de partir, trataram de esconder as imagens sagradas.
À época da Reconquista, passados mais de quatro séculos, diz-se que numa noite, um pastor guiado por uma estrela, dirigiu-se a um monte onde encontrou, entre as rochas, uma imagem de Nossa Senhora. Como sinal de devoção, foi erguido nesse local um convento franciscano (Convento de Nossa Senhora da Estrela), tendo a Senhora se tornado protetora do castelo.
Com relação a essa devoção em particular, conta-se ainda que, uma noite em que forças castelhanas, conduzidas por dois traidores, se aproximavam sorrateiramente do castelo para o assaltar, ouviu-se na escuridão uma voz feminina que bradava “Às armas!”. Enquanto os sentinelas avisavam a guarnição para se pôr a postos, puderam ser vistos os castelhanos em fuga descendo a encosta, assustados.

Castelo de Marvão
Aberto Todos os dias entre as 10h e as 17h
Entradas: Gratuitas para
residentes da vila, para naturais de todo o concelho de Marvão, para visitas organizadas por
estabelecimentos de ensino
ou outras instituições, com sede no concelho e para crianças (de fora) até aos 12 anos
Bilhete Normal: 1,50 €;
Titulares do cartão jovem, do cartão de estudante, do cartão 65 e de pensionista têm 50 % desconto. Grupos organizados, com marcação prévia, de 20 ou mais pessoas têm 30% de desconto

 

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