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A dominar o vale do rio Mondego...

13/04/17 CULTURA Imagem

Lá em baixo, há campos de arrozais a perder de vista e há também a vila de Montemor-o-Velho, sede do concelho de mesmo nome, no distrito de Coimbra

As primeiras referências documentais à povoação e ao seu castelo remontam ao século IX, quando Ramiro I das Astúrias e seu tio, o abade João do Mosteiro do Lorvão, o conquistaram, no ano de 848. O soberano transmitiu ao tio estes domínios, com o encargo de defender o castelo, mantendo-lhe guarnição, cuja alcaidaria João entregou a D. Bermudo, filho de sua irmã, D. Urraca. Ainda naquele ano resistiu ao cerco que lhe foi imposto pelo califa de Córdoba, Abderramão II.
A verdade é que a posse da região entre os rios Douro e Mondego alternou-se entre cristãos e muçulmanos desde a segunda metade do século X até ao início do XI. De acordo com a ‘Crónica dos Godos’, a povoação e a sua fortificação foram conquistados em dezembro de 990 por al-Mansur. Muhammad ibn Abu ‘Amir (939-1002), de cognome ‘al-Mansur’ (‘O Vitorioso’) foi uma figura destacada da Península Ibérica muçulmana. Chefiou o exército muçulmano da Península durante mais de duas décadas e venceu inúmeras batalhas contra os cristãos. Uma dessas campanhas levou-o a Coimbra e à conquista de Montemor-o-Velho e terá sido depois desta data que este mandou reedificar o castelo. Povoação e fortificação voltaram a mudar de mãos mais do que uma vez: recuperados pelos cristãos em 1006 ou 1017, novamente retomados pelos muçulmanos em 1026, reconquistados por Gonçalo Trastamariz em 1034 e de volta à posse muçulmana.

O castelo medieval
A posse cristã definitiva pelos cristãos só ocorreria sob Fernando Magno após a conquista definitiva de Coimbra, em1064, que assegurou o domínio da fronteira no Mondego. Da fortificação árabe, já quase nada resta, porque o imponente monumento que hoje se vê resulta de sucessivas campanhas medievais. Durante a Reconquista cristã da Península Ibérica, foi um ponto estratégico na defesa da linha fronteiriça do baixo Mondego, em particular da região de Coimbra. Era, por isso, a principal fortificação da região, naquela época. Terá sido Afonso VI de Castela que reedificou a estrutura defensiva. Na mesma época, foi fundada dentro das muralhas a Igreja de Santa Maria da Alcáçova, muitas vezes reedificada nos séculos que se seguiram e que ainda lá se mantém. Com D. Afonso Henriques e Sancho I a estrutura foi reforçada, porque Montemor manteve a sua importância estratégica depois da independência.
Já depois da formação do reino de Portugal, o castelo continuou a ser disputado. D. Afonso II discordou do testamento no qual o seu pai o doara às infantas suas irmãs, Teresa e Mafalda, e só a intervenção papal sanou a discórdia. Foram, aliás, estas duas infantas que mandaram remodelar o paço do castelo, transformando-o num típico paço senhorial. Mais tarde, viria a estar no centro de novas contendas, primeiro entre Sancho II e Afonso III. Mas não se ficou por aqui a disputa por esta fortificação. No contexto da rebelião do infante D. Afonso, futuro D. Afonso IV, contra seu pai, o rei D. Dinis (1279-1325), o castelo, que estava desguarnecido, foi conquistado sem combate pelas forças do príncipe, a 1 de Janeiro de 1322. Neste período, foram feitas obras e os historiadores pensam datar desta fase a construção da barbacã e do troço da cerca a Norte.
O destino de Ines de Castro
Devido à sua preponderância militar no espaço nacional, o regente D. Pedro fez dele o seu paço pessoal. E foi ali, na sua alcáçova, a 6 de Janeiro de 1355 que D. Afonso IV se reuniu com os seus conselheiros para para debater o perigo que constituía para a política portuguesa a união do infante D. Pedro com Inês de Castro. Filha de um dos mais poderosos nobres de Castela, Inês vivia maritalmente com o herdeiro do trono desde a morte da mulher deste, em 1345. Uma ligação que desagradava à corte, sobretudo pela grande influência que os irmãos de D. Inês exerciam sobre o futuro rei bem como pela possibilidade de um dos filhos ‘bastardos’ do casal poder, um dia, ascender ao trono. D. Afonso IV deixou-se convencer de que o amor de Pedro e Inês era um assunto de estado, e que a nobre castelhana era um perigo para a independência nacional. Por isso, daquela reunião resultou a decisão do rei e, poucos dias depois a seu mando, D. Inês de Castro era assassinada no Paço de Santa Clara, em Coimbra.
A importância militar e estratégica deste castelo manteve-se ao longo dos séculos seguintes, como prova, por exemplo, o facto do seu comando ter estado sempre nas mãosdede figuras de destaque da nobreza de Portugal. Afirmava-se ainda que as suas grandes dimensões permitiam aquartelar até cinco mil homens de armas em seu interior. No contexto da crise de sucessão de 1580, acredita-se que o castelo tenha recebido a visita de D. António, Prior do Crato, quando visitou a vila por cinco dias, em Setembro de 1580, ocasião em que tentava articular a defesa, na linha do Mondego, da independência de Portugal.

Da Guerra Peninsular até hoje
No contexto da Guerra Peninsular (as invasões francesas de Espanha e Portugal), as dependências do castelo de Montemor-o-Velho foram ocupadas pelas tropas francesas de Napoleão, entre 1807 e 1808, sob o comando de Jean Junot. Três anos mais tarde, no caminho da retirada das tropas derrotadas de André Masséna, foi saqueado e depredado, juntamente com a vila. Cerca de 20 anos depois, com a extinção das Ordens Religiosas em Portugal (1834), o seu pátio de armas passou a ser utilizado como cemitério da vila. Nessa fase as pedras do castelo foram reaproveitadas pela população local e em 1877 uma das suas torres foi adaptada como Torre do Relógio.
Desde 1910, o Castelo de Montemor-o-Velho e a Igreja de Santa Maria da Alcáçova estão classificados como Monumento Nacional e em 1929, por iniciativa de um particular, António Rodrigues Campos, empreendeu-se uma campanha que chegou a promover alguns restauros no monumento. Em bom estado de conservação, o imponente castelo está atualmente aberto ao público. Se for a Montemor-o-Velho, não deixe de visitar este monumento, que no seu interior alberga a Igreja de Santa Maria da Alcáçova a Capela de Santo António e a Igreja da Madalena cuja atual estrutura data dos séculos XV e XVI. Na nova cerca há ainda as ruínas da Capela de São João. E, já agora, aproveite para retemperar energias na Casa de Chá Paço das Infantas, um espaço amplo e moderno envolvido pelas muralhas da fortificação.

Igreja de Sta Maria da Alcáçova
A igreja de Santa Maria da Alcáçova remonta ao século XI, mas as reconstruções e acrescentos que se realizaram ao longo de vários séculos alteraram o seu traçado inicial. A tradição diz que foi fundada em 1090, quando era conde de Coimbra o moçárabe Sisnando Davidiz. Entretanto, seria reedificada e consagrada nos inícios do segundo quartel do século XII. Foi reedificada definitivamente no primeiro quartel do século XVI, período de afirmação, em Portugal, do estilo manuelino. A obra foi atribuída ao arquiteto Francisco Pires, sob a ordem do bispo-conde D. Jorge de Almeida. A fachada desta antiquíssima igreja tem uma grande sobriedade. O portal, em arco, é encimado por pedras de armas do bispo-conde D. Jorge de Almeida. No interior, o templo convida ao recolhimento. É dividido em três naves por uma série de arcos quebrados, de grande beleza.
A igreja é ornamentada por diversos trabalhos de escultura de várias épocas, feitos por mestres da região. Entre estes está o retábulo renascentista atribuído ao mestre João de Ruão, com esculturas representando uma ‘Virgem da Expectação’, uma Santa Luzia e uma Santa Apolónia. Na capela-mor há um retábulo seiscentista, em talha dourada, e na Capela do Sacramento ressalta um outro retábulo do século XVI, minuciosamente decorado, com sacrário trabalhado como se fosse um templo, contendo nos nichos imagens de S. João Batista e da Aparição de Cristo à Virgem e a Maria Madalena.

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Mario Fazenda

Parabéns ao Mundo Português


Vicentina Coelho

o + importante de tudo é voces publicarem a historia,, e lindo


Alvaro Rodrigues

Bom Dia para todos voces desse Mundo Português. Saudades desse lindo Porto que eu vivi nos meus anos de 50 a 1955. Um grande abraço e continuem mandando lindas fotos.


Maria Aurora Ribeiro

Um domingo maravilhoso para todos nós Portugueses espalhados pelo mundo eu moro no Brasil tenho muita saudade da minha terra natal beijinhos


Maria Isilda Sousa Faria

Muitos saludos aos portugueses pelo mundo fora desde caracas venezuela


Fatima Alves de Andrade

Felicitacoes! Temos que celebrar o que e nosso.


Ailton Aurora Alves

Bom dia e boa tarde para meu Portugal que amo de paixão !!!! muitos beijos para todos os Portugueses


Ayelen De Jesús Correia

Muitos parabéns ao Dr Carlos Morais, pelo trabalho realizado para o benefício da comunidade Português no mundo. Um prazer ter conhecido a o Sr Carlos e tudo o equipe do O Emigrante/ Mundo Português.


Jose Maria Monteiro

11.10.15 - Da cidade de CALW - Alemanha BADEN WURTENBERG Bom dia para todo o Mundo e, um bom Domingo para todos os meus amigos !!!


Armando Figueiredo

Johannesburg, Africa do Sul... Tempo maravilhoso,..um optimo dia pessoal!...


Silvia Leiva

olá! desde Santa Fe, na Argentina,um beijo para todos os portugueses. cá, esperando que a primaveira chegue de verdade :P faz frio ainda!!!!! carinhossss


Isabel Loyola

Parabéns pela página! Sou brasileira de Curitiba e leio-a com imenso prazer.


Maria Esteves?

Desejo a todos os emigrantes portugueses muita sorte e muita saúde


Maria Clara

Obrigada por esta página; pois tudo q diz respeito a Portugal me interessa, pois eu moro no Brasil; um abraço.


Maria Rosa

Muito bom mesmo!!! Meus parabéns a todos, tenham um bom dia.




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