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“Rostos de Timor” mostra um povo que nunca desistiu, nunca se resignou e nunca esqueceu a sua língua

15/03/17 REGIONAL Imagem

Inaugurada no dia em que se completavam 25 anos da chegada do navio Lusitânia Expresso – Missão Paz, a Timor. As 24 fotografias do fotojornalista António Cotrim podem ser vistas na Biblioteca de Ferreira do Zêzere até 29 de abril

No dia em que se completavam 25 anos da chegada do navio Lusitânia Expresso - Missão Paz a Timor, na vila de Ferreira do Zêzere era inaugurada a exposição de 24 fotografias do fotojornalista da agência Lusa, António Cotrim, captadas pela sua objetiva quando acompanhou uma das visitas oficiais portuguesas àquele país, em 2007. Feliz coincidência esta inauguração ter acontecido, na mesma data, 25 anos depois de um grupo de 141 jovens, de 23 países, terem seguido no Lusitânia Expresso com destino a Timor.
Recorde-se que a ideia da Missão Paz em Timor surgiu na sequência do massacre ocorrido no cemitério de Santa Cruz em novembro de 1991, em Dili, capital de Timor-Leste, e que provocou mais de 200 mortos, maioritariamente jovens estudantes que se manifestavam contra a violação dos direitos humanos por parte das autoridades indonésias que ocupavam o território, desde 1975.

Rostos de dignidade
António Cotrim, foi convidado pela Câmara de Ferreira do Zêzere a levar até àquele concelho a exposição ‘Rostos de Timor’, que já esteve patente em vários locais, entre os quais o Parlamento, em Lisboa. Desde 11 de março e até 29 de abril, as imagens que o fotojornalista registou em 2007 podem assim ser vistas na Biblioteca municipal.
O fotojornalista tem raízes no concelho. A sua mãe, Maria Lucinda Cotrim, nasceu e viveu parte da sia vida na freguesia de Águas Belas e foi uma convidade especial da inauguração. António Cotrim aponta a sua mãe como a grande “culpada” porter seguido o fotojornalismo, já que a primeira máquina que teve foi por ela oferecida. “Esta foi uma forma de eu prestar uma homenagem pública à minha mãe que me ofereceu a primeira máquina fotográfica há quase 40 anos. E foi ela que me ensinou o que era ser ferreirense, algo de que pretendo não me afastar”, segredou ao ‘Mundo Português’.
A Câmara de Ferreira através do seu presidente, Jacinto Lopes, do vereador Hélio Antunes e do bibliotecário Armando Cotrim, preparou, juntamente com a pintora Élia Ramalho, uma surpresa ao fotojornalista: convidou três timorenses a estudar na Universidade de Coimbra, a estarem presentes na inauguração da exposição. Emocionadas e sensibilizadas, reconheceram familiares retratados nas excelentes fotos documentais que retratam, como diz António Cotrim, um povo que “nunca resignou e acima de tudo, nunca esqueceu a sua língua, a sua cultura ancestral, a sua identidade e que após 24 anos de ocupação pela vizinha Indonésia, tornou-se independente em 2002”.
Do conjunto de fotos, António Cotrim elege uma tirada a um timorense vestido com trajes tradicionais, durante uma cerimónia em que aguardavam a chegada do então Presidente da República de Portugal, Anibal Cavaco Silva. “Esta é a foto que mais gosto por causa da expressão. Mostra um olhar forte, de dignidade, de respeito por pessoas que sofreram, foram espezinhadas, torturadas, mas que nunca perderam a dignidade e o respeito que têm por eles próprios”, explicou.
Em outubro de 2016, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, registou que “estes rostos de Timor- Leste valem a dobrar, valem pelo retrato de um povo irmão e heróico, de um heroísmo que percorreu desde sempre a sua história e valem, ainda, pela homenagem a um jornalista-fotógrafo que testemunhou o massacre de Santa Cruz e que, também por isso, ficou definitivamente preso aos sortilégios timorenses”.

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