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Este castelo foi uma inovação da arquitetura militar portuguesa

16/02/17 REGIONAL Imagem

A sua construção do Castelo de Portel foi considerada inovadora na época e teve uma forte inspiração do Castelo de Angers, na França

Embora esta região alentejana seja rica em testemunhos arqueológicos, a verdade é que não há certezas sobre a primitiva ocupação humana do sítio do castelo.
À época da Reconquista cristã da península Ibérica, os domínios de ‘Portel Mafomede’, como era referenciado o lugar, foram doados por Afonso III de Portugal a João de Aboim. Nobre letrado, que chegou a desempenhar as funções de Mordomo-mor do reino e de governador de Algarve, era um valido daquele soberano. Mas após o conflito que opôs D. Afonso III a seu irmão - Sancho II de Portugal (1223-1248) - foi agraciado com essas terras localizadas entre os termos de Évora e Beja, e coincidentes com a serra de Portel.
Em 1257, numa carta aos ‘homens-bons’ de Évora, pedia-lhes que aceitassem João de Aboim como seu vizinho. Tendo havido contestação quanto aos limites daquela doação, somente após a demarcação de sua jurisdição, em 1261, o soberano autorizou a construção de um castelo no local que melhor servisse aos interesses daquele nobre. Desse modo, em dezembro de 1262, João de Aboim, acompanhado pela sua mulher e pelo filho, passou Carta de Foral (documento que visava estabelecer um concelho e regular a sua administração, deveres e privilégios) aos povoadores do castelo de Portel, em termos semelhantes aos de Évora.
Os trabalhos de construção prosseguiram no reinado de D. Dinis (1279-1325). Falecido o nobre, surgiu uma disputa entre os herdeiros pela posse da honra, e, como resultado o castelo reverteu para a Coroa, em Janeiro de 1289, por troca direta entre o soberano e D. Marinha, viúva de João de Aboim. Foi, aliás, D. Dinis quem mandou construir a cerca da vila.
O castelo tem um estilo gótico, de forma heptagonal, composto por torres cilíndricas e com a porta protegida por uma torre de menagem, ou torre principal, que domina o portão de entrada, no lado norte. Tem ainda mais quatro portões de acesso. A sua construção foi considerada uma inovação para a arquitetura militar portuguesa da época e teve uma forte inspiração do Castelo de Angers, na França.
A defesa do castelo foi posteriormente complementada com a construção das muralhas da vila – que, infelizmente, não chegaram aos nossos dias - mas também com o levantamento de uma fortificação encarregada de proteger o acesso ao castelo, barbacã de que ainda são conservados alguns troços, nas zonas sul, norte e poente (o barbacã é muro construído à frente das muralhas, mais baixo que estas, com a função de as proteger dos impactos da artilharia).

Portas abertas ao ‘Condestável’
No século XIV, Portel e o seu castelo não ‘escaparam’ à crise sucessória de 1383-1385 - que começou com a morte do rei Fernando, por este não ter gerado herdeiros masculinos. Este foi um período de guerra civil na história de Portugal, também conhecido como ‘Interregno’, uma vez que não existia rei no poder.
Apesar de as Cortes de Coimbra terem escolhido, em 1385, D. João I como o novo monarca português, o rei João I de Castela não desistiu de tentar conquistar o reino para si e invadiu Portugal. O exército castelhano era muito mais numeroso mas, mesmo assim, foi derrotado na batalha de Aljubarrota graças à tática inventada naquela altura à qual deram o nome de ‘tática do quadrado’ . Os exércitos portugueses foram comandados, mais uma vez, por Nuno Álvares Pereira, nomeado por João I de Portugal como ‘Condestável do Reino’.
Ora, durante a guerra Fernão Gonçalves de Sousa, alcaide de Portel, decidiu tomar o partido de Castela, e com receio dos moradores, tomou as armas a todos e pô-las no castelo. Em Novembro de 1384, no desenvolvimento da campanha alentejana pelas forças de D. Nuno Álvares Pereira, um clérigo de Portel, chamado João Mateus, as portas da vila às tropas lusas, facilitando a conquista da povoação e a rendição do castelo. Os seus domínios, após a batalha de Aljubarrota estariam compreendidos na ampla doação de terras e direitos que o soberano fez aquele ‘Condestável’. Depois, por sucessão, passaram para os domínios da Casa de Bragança.
Já sob o reinado de D. Manuel I, a estrutura do castelo foi remodelada dando lugar ao paço dos duques de Bragança e a uma barbacã (1510), ficando as obras a cargo do arquitecto-régio Francisco de Arruda, por instância de D. Jaime, duque de Bragança. Os trabalhos de remodelação incluiram a construção da Igreja de São Vicente, quartéis militares, cavalariças e uma cisterna, além do sistema de canalização.

Abandono e restauro
Nos séculos seguintes, o Castelo de Portel perdeu a sua função de defesa. Afastado das linhas de fronteira e de acesso à região, foi progressivamente abandonado até seu desmoronamento quase total.
Mas o seu notável interesse histórico e arqueológico, levou a que a edificação, sob propriedade da Fundação Casa de Bragança, fosse em 1910 classificada como Monumento Nacional. Recebeu obras de intervenção em várias alturas - 1938, 1980 e 1999 - e aguarda por um plano alargado de investigação, reconstrução e musealização. A Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais, tem procedido a várias intervenções de restauro e de acordo com a casa de Bragança, a quem pertence o castelo, foi feita também uma campanha arqueológica no seu interior.
Implantada no coração do Alentejo, Portel é uma bonita e bem preservada vila com grande interesse histórico. Edificada entre a serra e a planície, com o seu imponente castelo que domina o branco casario da vila, é uma porta de acesso ao Alqueva, o maior lago artificial da Europa. A nível de artesanato, têm destaque os bordados, a cestaria, as meias de quatro agulhas, as miniaturas de mobiliário alentejano, os trabalhos em cabedal e pele, em ferro, em madeira e ainda os trabalhos de serralharia decorativo-artística.
Uma boa altura para visitar a vila e o seu castelo poderá ser durante as festas do concelho, que decorrem de 16 a 24 de agosto, ou ainda por altura da feira de Portel, também em agosto, ou da festa do Santo Lenho, a 14 de setembro.

Visite também...
Miradouro de S. Bartolomeu do Outeiro: está situado no ponto mais alto da aldeia de S. Bartolomeu do Outeiro. Remonta ao século XIII, origem do surgimento da povoação. Através do telescópio que se encontra no local obtém-se uma vista panorâmica sobre a albufeira de Alvito, Monte de Trigo, a Ermida de S. Pedro, Portel, Beja e claro sobre a vasta planície alentejana.
A aldeia, por estar situada num dos pontos mais altos da Serra de Portel, possuí uma paisagem admirável, sendo rica em vestígios histórico-arqueológicos.
Amieira Marina: é a maior infra-estrutura naútica do Alqueva e local de partida da maior parte dos barcos que percorrem o grande lago. Localizada perto da aldeia da Amieira, disponibiliza diversos serviços nautícos, como passeios de barco no Alqueva; barcos casa; vela; ski. Tem um ótimo restaurante panorâmico, além de um bar com esplanada e um parque de estacionamento. Para chegar, siga até à aldeia da Amieira. Na rotunda à entrada da aldeia siga na direcção da Amieira Marina, após cerca de 200 metros vire à esquerda, percorra a estrada até lá chegar.

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Mario Fazenda

Parabéns ao Mundo Português


Vicentina Coelho

o + importante de tudo é voces publicarem a historia,, e lindo


Alvaro Rodrigues

Bom Dia para todos voces desse Mundo Português. Saudades desse lindo Porto que eu vivi nos meus anos de 50 a 1955. Um grande abraço e continuem mandando lindas fotos.


Maria Aurora Ribeiro

Um domingo maravilhoso para todos nós Portugueses espalhados pelo mundo eu moro no Brasil tenho muita saudade da minha terra natal beijinhos


Maria Isilda Sousa Faria

Muitos saludos aos portugueses pelo mundo fora desde caracas venezuela


Fatima Alves de Andrade

Felicitacoes! Temos que celebrar o que e nosso.


Ailton Aurora Alves

Bom dia e boa tarde para meu Portugal que amo de paixão !!!! muitos beijos para todos os Portugueses


Ayelen De Jesús Correia

Muitos parabéns ao Dr Carlos Morais, pelo trabalho realizado para o benefício da comunidade Português no mundo. Um prazer ter conhecido a o Sr Carlos e tudo o equipe do O Emigrante/ Mundo Português.


Jose Maria Monteiro

11.10.15 - Da cidade de CALW - Alemanha BADEN WURTENBERG Bom dia para todo o Mundo e, um bom Domingo para todos os meus amigos !!!


Armando Figueiredo

Johannesburg, Africa do Sul... Tempo maravilhoso,..um optimo dia pessoal!...


Silvia Leiva

olá! desde Santa Fe, na Argentina,um beijo para todos os portugueses. cá, esperando que a primaveira chegue de verdade :P faz frio ainda!!!!! carinhossss


Isabel Loyola

Parabéns pela página! Sou brasileira de Curitiba e leio-a com imenso prazer.


Maria Esteves?

Desejo a todos os emigrantes portugueses muita sorte e muita saúde


Maria Clara

Obrigada por esta página; pois tudo q diz respeito a Portugal me interessa, pois eu moro no Brasil; um abraço.


Maria Rosa

Muito bom mesmo!!! Meus parabéns a todos, tenham um bom dia.




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