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Tiago Cabaço é um dos nome mais sólidos da nova geração dos produtores alentejanos

09/02/17 ECONOMIA Imagem

Defende que os vinhos nascem no campo, o jovem Tiago Cabaço, nascido e criado em Estremoz, no coração do Alentejo vinhateiro, de 34 anos, habituou-se desde muito cedo a partilhar o campo e a trabalhar nas vinhas e na adega com os pais. Foi através deste percurso que, de criança, aprendeu segredos da vinha, do solo, das castas e de todo o universo a ele associado, que ainda hoje aplica no seu dia-a-dia.

A produzir desde 2004, Tiago Cabaço WINERY nasce pela mão do jovem que dá o nome à marca, Tiago Cabaço afirma-se como um dos nomes mais sólidos e marcantes da nova geração dos produtores alentejanos, segundo os críticos do sector. Em 2004 criou a marca Tiago Cabaço, o projeto em nome próprio. Desde então tem colocado no mercado vinhos da sua autoria, através dos quais passou a afirmar a sua personalidade e visão relativa aos vinhos e ao Alentejo.
Tiago Cabaço tem obtido respeito e atenção por parte do sector, somando muitos prémios e distinções nacionais e internacionais. A família de vinhos, sedutores e sérios, modernos no estilo e na forma mas profundamente alentejanos no carácter, divide-se entre os “. com” de perfil enérgico e jovial, os monovarietais sérios e poderosos, os “Vinhas Velhas” que conjugam a excelência do terroir e as vinhas com mais de 30 anos, o espumante, pensado para momentos especiais, e os “blog” simultaneamente vigorosos, subtis e frescos que se reclamam como os topos de gama dos vinhos de Tiago Cabaço.
Com acesso a algumas das melhores e mais velhas vinhas do Alentejo, todas nas proximidades de Estremoz, com a enologia entregue a uma das melhores enólogas do país – Susana Esteban (que foi “buscar ao Douro” em 2007), com a conquista dos mercados externos, Tiago Cabaço é uma das estrelas do novo Alentejo.
Fomos visitar e conhecer a moderna adega e este jovem, ex-campeão das “duas rodas”, que continua a “grande velocidade” nos vinhos. Nectares que vai dar a conhecer no SISAB PORTUGAL, na próxima edição de 6 a 8 de março, no Meo Arena, em Lisboa.

Deu o seu nome próprio aos vinhos ou melhor à sua empresa. Conte-nos um pouco da história.
Vou na 5ª geração do lado paterno e na 6ª geração do lado da minha mãe. O meu pai é desta região de Estremoz e a minha mãe da região de Azeitão.
Deixei os estudos bastante cedo pelo facto de ser piloto oficial Yamaha. Disputei o campeonato de Enduro e Todo o Terreno e depois o Europeu. Na data erámos só dois pilotos oficiais com o apoio de uma marca, eu e o Ruben Faria. Deixei de correr aos 20 anos.
Comecei a dedicar mais tempo ao projecto dos meus pais em 2001, e em 2004, com 22 anos de idade, decidi iniciar o meu próprio projeto começando por comprar uvas aos meus pais. Iniciei com a marca “. com” que ainda hoje é a nossa marca “umbrela”.

Ou seja uma marca que hoje está mais que na moda na linguagem da web...
O “.com” começou a ser comercializado em 2006, tem 10 anos de comercialização. Sempre acreditei que não bastava que o vinho fosse bom e competitivo, tinha que ter um nome de fácil memorização. Com tantas marcas com nomes de herdades, quintas e montes, quantas vezes é que bebíamos um vinho e, 24 horas depois, o queríamos referir a um amigo e já não nos lembrávamos do nome. “Ponto com” em Portugal, “ dot com” em Inglaterra, EUA - uma marca universal de conotação jovem, urbana; de memorização fácil.

Focou-se logo na exportação?
Sim, é verdade. Estava, também, focado nos mercados internacionais. Queríamos marcar pela diferença, sabíamos que tínhamos um produto com uma grande relação qualidade/preço e foi por tudo isso que começamos a ser conhecidos: marcas modernas e arrojadas, de um jovem que vinha do mundo das motas e com grande relação qualidade/preço. Achávamos que íamos cativar um consumidor mais jovem, mas na verdade fomos buscar um consumidor dos 20 até aos 70/80 anos e o “.com” tornou-se um “vinho da moda”.
A escolha do nome não foi consensual no meu grupo de amigos, entendiam que o consumidor o iria conotar como um vinho “feito por computadores”, a única pessoa que me apoiou foi a minha mãe.
Os primeiros seis meses foram muito difíceis, as pessoas não levavam muito a sério, o nome do vinho era demasiado arrojado. Mas a crítica começou a estar do nosso lado, a acreditar no nosso trabalho, e a melhor publicidade é o passa palavra e rapidamente o “.com” passou a chegar à mesa e às prateleiras.
Mais tarde aparecem as marcas “.beb” e “ blog”, que significa uma partilha - seja um blogue de vinhos, de gastronomia, de arte…
O “blog” é o topo de gama – uma produção pequena, um produto de excelência e que em 2011 ganhou o 1º prémio da Confraria de Enófilos do Alentejo – Talha de Ouro. Fui o produtor mais jovem de sempre a vencer este prémio.
A empresa tem uma equipa bastante jovem, com uma média de idades de 27 anos e, com o sonho de fazer vinhos de excelência, temos vindo a ser apontados como um dos produtores de excelência de Portugal. Nesse mesmo ano fomos prémio de Excelência na Revista Vinhos e, já no final do ano, após uma pré-seleção dos 50 Melhores Vinhos de Portugal, a revista Wine elegeu o TOP 10, através de prova cega, feita por um painel de jornalistas internacionais, oriundos de vários países, e fomos considerados o melhor vinho do Alentejo, o 3º a nível nacional (com dois Vinhos de outra Região à frente). Ganhámos, nesse ano, o campeonato, a taça e a liga dos Campeões como gostamos de referir! Um ano em cheio e que foi o nosso ano de viragem!
Se até essa data eramos conhecidos como um “produtor jovem e arrojado”, começamos a ser apontados como um produtor de excelência. Foi ainda em 2011 que começamos a construção deste novo edifício onde se encontra hoje a adega, deixando de trabalhar num espaço alugado. Com crescimentos de 100% ao ano, em 2016 prevemos crescer 26%, com muito empenho nosso e da nossa equipa.
Em 2012 adquiri a herdade à minha família, onde temos 80 hectares de vinha, mais 3 hectares contíguos à adega. Temos uma margem de crescimento considerável, estamos a produzir de momento cerca de 600 mil garrafas mas queremos chegar a um milhão e duzentas mil nos próximos cinco anos.

Lê-se que o Tiago passou a ser uma das estrelas do Alentejo. Deixou de ser uma estrela da velocidade, para o mundos dos vinhos?
O espírito, seja ele qual for, seja nas motas seja nas bicicletas - ou seja o espírito da competição - é lutar por uma vitória. Se nas motas lutava por um campeonato, aqui luto por um objectivo de vida e por um sonho de ter as minhas próprias marcas, de entender o Alentejo e as suas castas. O vinho corre-me nas veias, não pelo consumo, mas por ter nascido neste meio e estar no seio da família há tantas gerações.

Voltando um pouco atrás. O seu projecto nasce e vai crescendo. Onde começa a vender os vinhos atendendo que estamos num mercado tão competitivo?
Dado ter sempre acreditado que para exportar tinha que ter alguma força no meu país de origem apostei, inicialmente, no mercado nacional. Comecei por ter distribuidores regionais e, mais tarde, a Viniparra a distribuir a nível nacional. O primeiro mercado externo da Tiago Cabaço Winery foi o Brasil. Estamos em todos os Estados com o melhor importador de vinhos Portugueses. Vieram, depois, França, Bélgica, Luxemburgo, Inglaterra, China e EUA. Estamos em 12 mercados, tendo seis mais importantes. Abrimos uma Tiago Cabaço Wines, em Miami, e posso dizer-lhe que, em 2016, fomos o principal responsável pelo crescimento dos vinhos do Alentejo nos EUA.
As exportações ainda só representam 30/35% das nossas vendas, mas o mercado nacional continua a crescer. Não queremos estar em 40 mercados, preferimos estar em muito menos mas muito bem representados e com vendas significativas.

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