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Portugal despediu-se do ex-presidente a quem ninguém ficou indiferente...

10/10/16 ATUALIDADE Imagem

Para muitos ficará na história como o grande político português, que salvou Portugal da “tentação totalitária do comunismo” que criou as bases do país novo, democrático e em liberdade, e integrou o nosso país na Europa. Para outros ficará como o político que “vendeu” as colónias, precipitando a vida de centenas de milhares de portugueses num inferno que dilacerou a nação, separou famílias e arrasou vidas laboriosamente construídas. Para quem não acreditava na eternidade, Mário Soares será para sempre uma figura eterna na memória dos portugueses...

Mário Soares morreu com 92 anos, no Hospital da Cruz Vermelha, em Lisboa, onde estava internado desde 13 de dezembro. Soares desempenhou os mais altos cargos no país e a sua vida confunde-se com a própria história da democracia portuguesa: combateu a ditadura, foi fundador do PS, foi Ministro, Primeiro-Ministro e Presidente da República.
Nascido a 7 de dezembro de 1924, em Lisboa, Mário Alberto Nobre Lopes Soares foi fundador e primeiro líder do PS, e ministro dos Negócios Estrangeiros após a revolução do 25 de Abril de 1974.
Primeiro-ministro entre 1976 e 1978 e entre 1983 e 1985. Foi Soares a pedir a adesão à então Comunidade Económica Europeia (CEE), em 1977, e a assinar o respetivo tratado, em 1985. Em 1986, ganhou as eleições presidenciais tornando-se Presidente da República durante dois mandatos, até 1996.

Um funeral de Estado
Dois dias depois da morte, as cerimónias fúnebres de Estado do antigo Presidente da República iniciaram-se com o cortejo que levou o corpo para o Mosteiro dos Jerónimos. Da sua residência no Campo Grande, o cortejo, com escolta de 30 motos da GNR acompanhado por viaturas do protocolo, da segurança e da família, seguiu para os Paços do Concelho, onde esteve o presidente da autarquia, Fernando Medina, vereadores e outros autarcas.
Na Praça do Município, a urna passou para uma charrete da Guarda Nacional Republicana, e seguiu para o Mosteiro dos Jerónimos, com uma Escolta de Honra de 84 cavalos da GNR.
Nos Jerónimos, foram muitas as individualidades que receberam o cortejo onde se contava a presença da ministra da Presidência, Maria Manuel Leitão Marques, o presidente da Assembleia da República, Ferro Rodrigues, e o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.
A urna foi depois levada para a Sala dos Azulejos, entrando de seguida a família, a ministra da Presidência, o presidente da Assembleia da República e o Presidente da República, que apresentaram pêsames à família e se retiraram.
Após a saída das altas individualidades foi feita a abertura da câmara ardente ao público, tendo estado aberta até à meia-noite.
Pelas treze horas de hoje, a urna foi transportada da câmara ardente para os claustros do Mosteiro, onde se realizou uma sessão solene evocativa de homenagem.
A sessão solene começou e terminou com o hino nacional e incluirá excertos da voz de Mário Soares e da sua mulher, Maria Barroso, falecida em 2015, e intervenções dos filhos, João e Isabel Soares.
Por se encontrar em visita de Estado à Índia, o primeiro-ministro não esteve presente na cerimónia, mas foi transmitida uma intervenção em vídeo de António Costa, antes ainda das intervenções do presidente da Assembleia da República e do Presidente da República. Estas intervenções serão intercaladas por momentos musicais interpretados pelo Coro de São Carlos e pela Orquestra Sinfónica Portuguesa.
às catorze horas, saiu o funeral em direcção ao cemitério dos Perazeres em Lisboa, tendo o cortejo feito algumas paragens no Palácio de Belém, Assembleia da República, Fundação Mário Soares e sede do PS no Largo do Rato.
Já no cemitério, a urna seguiu na direção da capela, acompanhada pelas altas entidades. Junto à capela, teve lugar um último momento evocativo, em que foi novamente ouvida a voz de Mário Soares. Depois ouviu-se uma salva de 21 tiros de artilharia, a partir de uma embarcação da Marinha, no Tejo. Após a paragem junto à capela, a urna foi transportada por militares das Forças Armadas para o jazigo familiar.
Esta foi a primeira vez desde o 25 de Abril que se realizou um funeral de Estado em Portugal, o que implicou, entre outras coisas, a participação dos vários ramos das Forças da Armada e um cortejo, motorizado e a cavalo.
Nos três dias de luto nacional, a bandeira nacional foi colocada a meia haste e qualquer outra bandeira que com ela seja desfraldada terá também de ser hasteada da mesma forma.

Reações à morte de Mário Soares
António Costa - Primeiro-ministro
“O rosto e a voz da nossa liberdade”
O primeiro-ministro afirmou que Portugal perdeu “aquele que foi, tantas vezes, o rosto e a voz da nossa liberdade”. “Mário Soares foi um homem que durante toda a sua vida se bateu pela liberdade. Fê-lo contra a ditadura, e com isso sofreu a prisão, sofreu a deportação e sofreu o exílio; continuou a bater-se pela liberdade e pela democracia depois do 25 de Abril, e a ele devemos ter salvo a revolução e também ter sabido por fim ao colonialismo, abrir a opção europeia e assegurar a integração europeia de Portugal”, afirmou António Costa na sua declaração oficial.
O Chefe de Governo sublinhou ainda que “a perda de Mário Soares é a perda de alguém que teria sido insubstituível na nossa história recente”. “Devemos-lhe muito e ficar-lhe-emos eternamente gratos”, afirmou ainda declaração, concluindo a expressar os seus sentimentos a Isabel Soares e João Soares e a todos os seus familiares.

Marcelo Rebelo de Sousa - Presidente da República
“Um homem que no que era decisivo foi um vencedor”
Marcelo Rebelo de Sousa lembrou um “homem que no que era decisivo foi um vencedor” e cujo legado - “o combate por um Portugal livre, uma Europa livre, um mundo livre” – o atual Chefe de Eatado se comprometeu a assumir como um legado a imortalizar. “Terminada a penúltima pugna da sua vida”, afirmou, “resta a Mário Soares, como inspirador, travar o derradeiro combate, aquele em que estamos todos com ele, o combate pela duradoura liberdade com justiça na nossa pátria comum”.
O Presidente da República passou em revista os momentos-chave - “as imagens únicas que ninguém pode esquecer” - e lembrou “o calor irrepetível de Mário Soares na suas Presidências Abertas”. Prosseguiu na lista das imagens “únicas” que fazem o filme da vida política do ex-Chefe de Estado, “no diálogo com gentes da cultura”, na “defesa pela independência de Timor”, “na presença na manifestação contra a intervenção no Iraque”. “O homem foi sempre o mesmo”, disse, e acrescentou: “E a causa também foi sempre a mesma: a liberdade”. No adeus a Soares, Rebelo de Sousa posicionou-se como guardião deste legado: “Nunca desistiremos, como Soares nunca desistiu de Portugal, da Europa e do mundo livre”.

António Guterres - Secretário-geral das Nações Unidas
“Figurará na nossa memória e na história do nosso país”
António Guterres homenageou Mário Soares como “um dos raros líderes políticos de verdadeira estatura europeia e mundial”, a quem os portugueses devem “em grande medida, a democracia, liberdade e respeito pelos direitos fundamentais”.
“Presto a minha homenagem a Mário Soares, certo de que figurará na nossa memória e na história do nosso país, como um homem livre que quis que todos nós vivêssemos em liberdade e que lutou toda uma vida para que isso fosse possível”, afirma o secretário-geral da ONU, numa declaração enviada à Lusa.
Na nota, o antigo primeiro-ministro português diz ser “em grande medida” a Mário Soares “que devemos a democracia, a liberdade e o respeito pelos direitos fundamentais de que todos os portugueses puderam usufruir nas últimas décadas e que são hoje valores adquiridos no nosso país”. Mas, acrescenta, “a dimensão do legado de Mário Soares ultrapassa em muito as fronteiras de Portugal” e finaliza assegurando que “a liberdade foi sempre o seu valor de referência”.

Ramalho Eanes - Ex-presidente da República
“Tem direito a ocupar um lugar de grande relevância na história no nosso país”
O ex-Presidente da República Ramalho Eanes recordou a forma como Mário Soares lutou em prol da liberdade e democracia, considerando que o antigo chefe de Estado irá ocupar um lugar de grande relevância na história de Portugal.
“Pela ação de combate político determinado que desenvolveu em prol das liberdades e da democracia, primeiro, e depois da consolidação de uma democracia moderna, constitucional, pluralista, Mário Soares tem direito ao reconhecimento da pátria e tem obviamente o direito a ocupar um lugar de grande relevância na história no nosso país”, afirmou Ramalho Eanes, numa declaração aos jornalistas.

Jorge Sampaio - Ex-presidente da República
“Extraordinária capacidade de luta”
Jorge Sampaio lembrou a “resiliência” do antigo chefe de Estado e dizendo que o momento é de “profundo pesar” para Portugal e para a Europa. Recordando a “extraordinária capacidade de luta” de Soares, recordou que “foi preso, exilado, nunca perdeu o seu amor por Portugal”. “Sempre acreditou naquilo que era o interesse de Portugal e no que era estrategicamente vital para a democracia portuguesa”, assinalou. “Atravessou o Portugal obscuro para corporizar essa ambição extraordinária”, assinalou ainda Jorge Sampaio.

Cavaco Silva - ex-presidente da República
“Uma das personalidades mais marcantes do século XX português”
O ex-Presidente da República Cavaco Silva lembrou o antigo chefe de Estado Mário Soares como uma das personalidades mais marcantes do século XX português, sublinhando a sua faceta de “verdadeiro animal político”. “A morte do doutor Mário Soares é um momento de profunda consternação para a generalidade dos portugueses. Foi indiscutivelmente uma das personalidades mais marcantes do século XX português”, afirmou Cavaco Silva, numa declaração aos jornalistas. Apesar de reconhecer que em alguns momentos da vida política foi um adversário de Mário Soares, Cavaco Silva destacou as suas capacidades de “verdadeiro animal político”.

Uma figura nem sempre consensual
O vice-presidente do Conselho das Comunidades Portuguesas disse compreender que “muitos emigrantes sintam alguma revolta” e que atribuam a Mário Soares “alguma responsabilidade, sobretudo os retornados das antigas colónias”.
A propósito da morte do ex-Presidente da República, Nelson Ponta-Garça considerou Mário Soares “uma das maiores referências e figuras políticas das últimas gerações”.
“As últimas grandes vagas de emigração deram-se perto da altura da revolução. É natural que muitos emigrantes sintam alguma revolta e que lhe atribuam alguma responsabilidade sobretudo os retornados das antigas colónias”, adiantou.
No entanto, prosseguiu Nelson Ponta-Garça, “a grande maioria dos mais de cinco milhões de Portugueses espalhados pelo mundo sentem hoje um grande pesar pela partida de uma das figuras políticas portuguesas mais visíveis em todo mundo”.
“A sua coragem e a defesa da República e da democracia são de louvar”, disse.

Imprensa internacional distingue Soares
A Folha de S. Paulo, jornal de maior circulação do Brasil, publicou uma análise em que retrata Mário Soares, como figura central da adesão de Portugal ao projeto europeu.
O texto, assinado pelo sociólogo Mathias de Alencastro, fez um apanhado da atuação política de Mário Soares desde a década de 1950, frisando que quando regressou do exílio para Portugal, em 1974, tornou-se um líder pró-europeu em oposição a Álvaro Cunhal que era ligado a Moscovo.
«Deslumbrado com o resto do mundo depois de décadas de censura e de isolamento, o Portugal pós-fascista e pós-colonial encontrava-se numa encruzilhada entre dois caminhos: a inserção no projeto europeu e a tentação pró-soviética», aponta o texto.
A análise continua dizendo que «depois de três anos intensos, marcados pelo verão quente de 1975 quando um golpe de inspiração comunista quase se concretizou, Mário Soares triunfou, e Portugal deu início a uma das fases mais prósperas da sua história: a integração em passo acelerado na União Europeia».
O texto lembra que apesar deste trunfo político, Mário Soares era considerado uma figura controversa em Portugal já que parte da população o responsabilizou pelos traumas da descolonização.
« Os ‘retornados’ - milhares de portugueses forçados a regressar depois de nascerem ou passarem grande parte da vida nas colónias - formam ainda hoje um grupo visceralmente anti-Soarista», indica.
O texto termina com elogios a Portugal, um dos únicos países europeus onde o neofascismo não tem prosperado e onde o sucessor de Mário Soares no Partido Socialista, António Costa, selou uma aliança histórica com os comunistas,
encerrando o conflito aberto depois da Revolução dos Cravos. "Um panorama animador para um país que, em 1974, caiu nas mãos de Mário Soares em estado de calamidade militar, social e política", conclui.

 

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Mario Fazenda

Parabéns ao Mundo Português


Vicentina Coelho

o + importante de tudo é voces publicarem a historia,, e lindo


Alvaro Rodrigues

Bom Dia para todos voces desse Mundo Português. Saudades desse lindo Porto que eu vivi nos meus anos de 50 a 1955. Um grande abraço e continuem mandando lindas fotos.


Maria Aurora Ribeiro

Um domingo maravilhoso para todos nós Portugueses espalhados pelo mundo eu moro no Brasil tenho muita saudade da minha terra natal beijinhos


Maria Isilda Sousa Faria

Muitos saludos aos portugueses pelo mundo fora desde caracas venezuela


Fatima Alves de Andrade

Felicitacoes! Temos que celebrar o que e nosso.


Ailton Aurora Alves

Bom dia e boa tarde para meu Portugal que amo de paixão !!!! muitos beijos para todos os Portugueses


Ayelen De Jesús Correia

Muitos parabéns ao Dr Carlos Morais, pelo trabalho realizado para o benefício da comunidade Português no mundo. Um prazer ter conhecido a o Sr Carlos e tudo o equipe do O Emigrante/ Mundo Português.


Jose Maria Monteiro

11.10.15 - Da cidade de CALW - Alemanha BADEN WURTENBERG Bom dia para todo o Mundo e, um bom Domingo para todos os meus amigos !!!


Armando Figueiredo

Johannesburg, Africa do Sul... Tempo maravilhoso,..um optimo dia pessoal!...


Silvia Leiva

olá! desde Santa Fe, na Argentina,um beijo para todos os portugueses. cá, esperando que a primaveira chegue de verdade :P faz frio ainda!!!!! carinhossss


Isabel Loyola

Parabéns pela página! Sou brasileira de Curitiba e leio-a com imenso prazer.


Maria Esteves?

Desejo a todos os emigrantes portugueses muita sorte e muita saúde


Maria Clara

Obrigada por esta página; pois tudo q diz respeito a Portugal me interessa, pois eu moro no Brasil; um abraço.


Maria Rosa

Muito bom mesmo!!! Meus parabéns a todos, tenham um bom dia.




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